Com seu voto já definido há muito tempo pela saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB), o deputado João Daniel (PT/SE) classificou o dia 12 de setembro como uma data histórica para a Câmara dos Deputados, quando, enfim, colocou em votação no plenário o processo de cassação do seu ex-presidente. João Daniel lembrou que, desde o primeiro momento, quando a maioria da Casa elegeu Eduardo Cunha como presidente, ele se posicionou pela apuração de todas as denúncias contra o peemedebista.
"Nós assinamos recurso para que, a partir de várias denúncias feitas pelo Ministério Público do Brasil e da Suíça, o então presidente da Câmara se afastasse para fazer sua defesa e, em caso de não haver provas, que voltasse e assumisse, porque nós somos a favor e vamos defender sempre que todos, em qualquer lugar, devam ter o amplo direito de defesa", disse.
João Daniel acrescentou que, no entanto, o que se viu foi a força do poder e as articulações de Cunha, que disse, quando o Partido dos Trabalhadores não apoiou a sua manutenção como presidente da Câmara e votou a favor das investigações no Conselho de Ética, as palavras fortes de que agora ele se aliaria, como se aliou, ao poder econômico nacional, do qual faz parte ele e um grande grupo do Parlamento para derrubar a presidenta Dilma. "E no dia 17 foi comprovado, com a votação da cassação da presidenta Dilma, agora concretizada no Senado", disse.
Para João Daniel, o que está em jogo não é a votação da cassação do ex-presidente Eduardo Cunha. "O que se passa neste momento é um choque de projetos para desestruturar a Constituição Cidadã, de 1988, com garantias e conquistas da classe trabalhadora, e aprovar leis que vão retirar direitos e conquistas do povo brasileiro, mexendo na Previdência, nos direitos trabalhistas, na questão do pré-sal e em tantas outras coisas", ressaltou. Portanto, defendeu o deputado, a classe trabalhadora do Brasil, assim como fizeram os petroleiros, nesta segunda-feira, nos aeroportos brasileiros, deve estar nas ruas, na luta em defesa da democracia, das eleições diretas, do povo brasileiro e da nossa Constituição.


