Uma entrevista coletiva foi concedida ontem pelos delegados do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), responsáveis pelo inquérito policial da ‘Operação Babel’, que investigou denúncias de fraude e superfaturamento nos contratos de coleta de lixo da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) com a Torre Empreendimentos, entre 2010 e 2017. Eles detalharam a conclusão do inquérito, cujo relatório foi antecipado pelo JORNAL DO DIA em sua edição de sexta-feira.
Na ocasião, os delegados confirmaram que vão investigar novas informações relacionadas aos possíveis crimes praticados pelos indiciados, principalmente os sócios e diretores da Torre. “Tem que investigar algumas questões suspeitas que foram detectadas, alguns contratos da empresa Torre que vêm recheadas de informações que precisam ser esclarecidas. Muito provavelmente, esse inquérito vai ‘gerar filhotes’. Neste sentido, a gente vai dar continuidade à investigação”, disse a coordenadora do Deotap, Danielle Garcia. Segundo fontes da polícia, tais suspeitas incluiriam contratos da Torre com outras prefeituras da Grande Aracaju e até do interior, bem como contatos de sócios e diretores da empresa com políticos de grande influência no estado.
O delegado Gabriel Nogueira Júnior, responsável pelo caso, destacou que houve favorecimento da empresa baiana nos processos de seleção e licitação para a coleta de lixo em Aracaju. Além disso, houve também a adulteração das pesagens do lixo coletado pela empresa, principalmente na pesagem de resíduos orgânicos, superfaturando os valores pagos e causando um prejuízo estimado em R$ 15 milhões ao Erário. “Percebeu-se que o entulho coletado estava sendo pago como lixo domiciliar, e a remuneração entre esses resíduos sólidos é bastante diferente. A gente sabe que, em média, o preço da tonelada do lixo domiciliar custa em torno de R$ 104, enquanto o entulho custa em torno de R$ 40. Ficou então constatado no inquérito que havia uma remuneração diferenciada e o favorecimento por parte da empresa.”, informou.
O caso já foi entregue à 3ª Vara Criminal de Aracaju, com 14 indiciados pelos crimes de estelionato majorado, fraude em licitação pública e associação criminosa. Entre elas, estão os proprietários da Torre, gestores e ex-gestores de Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e dois representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindilimp).
Fica no Deotap – Ao final da coletiva, a delegada Danielle Garcia confirmou que vai permanecer na coordenação do Deotap, encerrando as especulações sobre sua saída do cargo, devido a supostas pressões e interferências de políticos e autoridades investigados em operações anticorrupção da Polícia Civil. Ela agradeceu o apoio que recebeu do ex-secretário de Segurança Pública, João Batista Santos Júnior, e do ex-delegado geral, Alessandro Vieira, e que vem recebendo tanto por parte do novo secretário, João Eloy de Menezes, quanto da nova delegada geral, Katarina Feitoza.
Danielle foi enfática ao afirmar que continuará à frente do Deotap com toda a equipe, a fim de dar continuidade às investigações. “A equipe pretende continuar o trabalho que começou, não há porque encerrar, não há nenhuma razão para isso. A gente vai continuar com o mesmo afinco e mesma dedicação e dar continuidade a todas as investigações”, garantiu.


