Milton Alves Júnior
A falta de reajuste salarial pode levar milhares de servidores estaduais a cruzarem os braços já a partir da próxima semana. Na manhã de ontem pelo menos seis categorias já declararam apoio ao movimento unificado e exigem que o Governo do Estado de Sergipe apresente soluções para o caso, ou que, pelo menos, gere algum tipo de retomada positiva. Apesar da pressão aplicada pelos profissionais junto à administração estadual, será preciso aperfeiçoar o jogo de paciência. O problema é que, de acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda, a atual conjuntura econômica do estado impossibilita o atendimento do pleito.
A impossibilidade de reajuste dos salários ocorre diretamente em virtude de a receita do Estado apresentar saldo insuficiente para atender, ao menos neste momento, a demanda dos sindicalistas. Dentro do conjunto de pedidos inclui-se ainda o não parcelamento salarial dos servidores – independentemente do salário em que o mesmo receba, bem como o pagamento do benefício mensal dentro do que ordena a Constituição Federal de 1988; ou seja, quitação do salário dentro do mês vigente, ou até o quinto dia útil do mês seguinte. Entre a lista de agrupamentos que sinalizam desejo de greve está o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Sergipe (Sintrase), e o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe.
Profissionais do Fisco, trabalhadores da Assistência Técnica e Extensão Rural, Condutores de Ambulância de Sergipe, e servidores filiados ao Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), completam o grupo que inclina-se a favor da greve unificada e por tempo indeterminado. Quanto ao pedido de normalização no repasse dos direitos trabalhistas a Sefaz inforou que desde meados do semestre passado tem participado de negociações e reunião com o Sindicato do Fisco a fim de debater pautas relativas aos salários. Sobre a probabilidade de novo parcelamento junto ao salário de julho, o Governo de Sergipe não se pronunciou até o início da noite de ontem.
“A partir do momento em que nossos direitos deixa de ser respeitados e a resposta que recebemos é que nada se pode garantir até o momento, é um sinal que todas as categorias necessitam se reunir em assembleia geral para estudar a deflagração de uma greve coletiva. Estamos dispostos a dialogar com os gestores, entendemos parte das lamentações relacionadas às dificuldades financeiras, mas não podemos deixar que os nossos direitos sejam retirados”, declarou o presidente do Sintrase, Diego Araújo. O líder sindical informou ainda que há cinco anos os trabalhadores acumulam perdas inflacionárias. A proposta é resistir até que as reivindicações sejam atendidas.
“Nós estamos há mais de cinco anos sem recomposição salarial e neste período sofremos com o aumento de tudo. Então, passamos por uma defasagem muito grande. Há anos tentamos negociar com o Governo, mas não há avanço. Já passamos da data-base, os servidores estão cobrando dos sindicatos, estamos aqui buscando esse diálogo e se não encontrarmos nenhum espaço, junto com outros sindicatos, iremos fazer as nossas mobilizações”, disse Augusto Couto. De acordo com a direção sindical, o reajuste salarial para acompanhar a inflação desse período seria pouco mais de 30%.
Programação – Na próxima quarta-feira, 26, a partir das 7h da manhã , os servidores promovem uma manifestação com café da manhã em frente a entrada principal da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro); no dia seguinte, também às 7h, terá manifestação na Secretaria da Fazenda e na sexta, 28, panfletagem na entrada no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), a partir das 6h da manhã. Finalizando a primeira etapa de mobilizações, no dia 1º de agosto os servidores se reúnem em assembleia que irá definir os próximos passos das reivindicações.


