Milton Alves Júnior
Faltando pouco mais de um mês para o início dos desfiles cívicos em alusão à Independência do Brasil, armarinhos situados no centro de Aracaju começam a aquecer a economia que envolve o setor. Diante do fôlego financeiro registrado desde o segundo trimestre deste ano, o comércio espera registrar um aumento de 8% se comparado com o mesmo período do ano passado. A facilidade no pagamento, a abrangência de novos produtos e a espetacularidade dos desfiles têm contribuído para que este tipo de mercado varejista contabilize crescimento gradativos nas vendas.
Em alguns estabelecimentos é possível encontrar mais de 500 utensílios aptos a serem utilizados no 7 de Setembro. Com um cenário diferente do ano passado – quando houve uma redução nas vendas de 20% se comparado ao mesmo período de 2015, a perspectiva por parte dos empresários e gerentes lojistas é que a movimentação de clientes siga crescendo conforme se aproximam os dias dos desfiles. O dia da Independência do Brasil é considerado a segunda data mais representativa para o setor, atrás apenas do Carnaval.
Apesar da esperança de reestruturação econômica, o comerciante Antônio Júnior, gestor de dois armarinhos em Sergipe, lamenta que as escolas tenham deixado de adquirir materiais alusivos à data, e tenha repassado essa demanda apenas aos estudantes. Há dez anos o faturamento era superior ao atual em pelo menos 80%. "A grande maioria dos que desfilam é formada por jovens estudantes que, em outra grande maioria dos casos são os pais ou responsáveis que pagam por estes custos. A outra parte é formada por militares e agentes municipais que desfilam com suas fardas mesmo. Até 2005, mais ou menos, as escolas públicas ainda realizavam compras para incrementar o desfile na Barão de Maruim e na Rua Bahia; esse incentivo ao patriotismo caiu e hoje são pouquíssimas as escolas que investem algum recurso na aquisição de adereços", lamentou.
O empresário disse torcer para que o fluxo de clientes continue movimentando a loja em Aracaju. Para isso, descontos especiais estão sendo destinados aqueles consumidores que pagam à vista ou levam produtos com valores acima de 200 reais. "Temos uma loja em Nossa Senhora do Socorro que, por mais que lá seja uma cidade bastante habitada e perto da capital, não segue o ritmo de venda daqui. O carnaval foi razoável, o 7 de Setembro aparenta melhorias, e depois é se preparar para a festa a fantasia que também ajuda a movimentar o nosso modelo de mercado", pontuou Antônio.
Se na capital a queixa é sobre a diminuição das compras, no interior, a situação é ainda pior para os lojistas. Sem eventos representativos, o jeito foi diminuir o estoque de materiais atualizados. Na lista de produtos mais procurados estão os pares e luvas brancas, sapatilhas, meias brancas, fitas nas cores verde e amarelo, cordas e tecidos utilizados para a identificação visual das bandas marciais, além de bandeiras, chapéus, boinas, acessórios e caps.
Visando adquirir todos os produtos de forma antecipada, eliminando, assim, qualquer probabilidade de falta dos produtos no mercado, a pedagoga Rejane Fontes reuniu um grupo de alunos para realizar pesquisas de preço e fechar negócios. Além de garantir o material concerta antecedência, ela garante que na hora de pagar o desconto fica ainda maior; positivo para o bolso dos estudantes e professores. "Realmente as escolas não estão com condições financeiras de ajudar nesses custos, e por isso que desde 2014 eu busco me reunir com mais dois colegas professores e um grupo de cinco estudantes que participam dos desfiles para que a gente venha até o centro e decida onde comprar. Quem oferece o mesmo produto e quantidade ganha a nossa preferência", declarou.
O balanço geral destas vendas será apresentado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), apenas no final da primeira quinzena de setembro; este prazo é estendido em virtude de muitos municípios sergipanos promoverem os desfiles cívicos apenas após o dia 7.

