Cirurgia continua sem atender pelo SUS

Milton Alves Júnior

 

Pacientes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem sem atendimento na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia em virtude dos débitos oriundos da Prefeitura de Aracaju. Acumulando uma dívida superior à um milhão e meio de reais, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou na manhã de ontem que o órgão segue sem programação definida para dar início à quitação dos déficits. Sem dinheiro em caixa e com demandas internas atrasadas – em especial junto aos grupos fornecedores de medicamentos e utensílios de uso pessoal, a direção do HC alega que segue com as cingias eletivas suspensas por tempo indeterminado.

O problema é que amanhã este cenário de dificuldades completará uma semana e os pacientes não amenizam nas críticas em virtude da falta de solução para o caos vivenciado por centenas de sergipanos na hora de recorrer ao público de saúde. De acordo com a contabilidade apresentada unidade hospitalar junto ao Ministério Público Estadual (MPE), o montante financeiro ainda em atraso é referente aos meses de novembro de 2016 e julho e agosto deste ano. Conforme apresentado pelo Jornal do Dia na semana passada, a decisão de interromper os procedimentos foi adotada pela cooperativa de anestesiologistas na última quarta-feira, 11. Desde então, 200 cirurgias deixaram de ser realizadas.

"Essa é a nossa realidade não de agora, mas de muitos anos. Quando a gente acha que o nosso tratamento está sendo realizado de forma regular, acabamos nos deparando com esse tipo de situação lamentável. Pagamos impostos altíssimos e quando vamos recorrer aos nossos direitos somos obrigados a sofrer com esse tipo de situação. Peço encarecidamente que o MPE e o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe possa interver a favor da classe mais necessitada", declarou o paciente Francisco Nunes. o HC confirma que nos últimos meses a PMA tem repassado pequenas valores, porém, insuficientes para minimizar a precariedade do sistema.

Ressalta-se que, além do Hospital de Cirurgia, a prefeitura possui déficits com mais duas unidades. Por hospital, a PMA declarou que junto à Maternidade Santa Isabel foi contabilizado um acúmulo em maior escala (algo em torno de R$ 5,3 milhões , a qual está nos planos para dissolução gradativa; o São José a dívida é inferior a um milhão; e o Hospital de Cirurgia possui uma cenário diferenciado. Em 2015 créditos foram repassamos para a unidade, porém apenas 75% dele foi utilizado. Segundo cálculos da PMA, os demais 25% resultam em aproximadamente dois milhões de reais, suficiente para quitar a dívida de R$ 1,5 milhões.

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