GIVALDO ROSA E O LIVRO QUE NÃO PÔDE ESCREVER

O Procurador Federal Givaldo Rosa Dias era um homem fino, atencioso, e muito solidário. Estudioso do direito, dedicava-se com quase devoção ao seu ofício de procurador, e pela sua cultura jurídica e integridade pessoal valorizava o cargo que exercia.
Givaldo era um pesquisador dos troncos genealógicos sergipanos, um estudioso da vida patriarcal, da colônia à República. Escrevia periodicamente nos jornais, e seus artigos eram um desfilar de memorias, resultantes, também, do convívio que tivera com muitas dessas famílias com origem nos engenhos, ele mesmo com ascendentes em algumas.
Desejava condensar em livro os seus trabalhos e acrescentar novos textos. Não teve tempo para concluir a pretendida obra, que ocuparia o seu cotidiano de aposentado. Um cruel golpe, a morte de um filho, de forma estranha e respingando graves suspeitas sobre a própria nora e viúva, que já convivia com um amante, deixou o cristão, pacífico e cordato Givaldo, sofrendo a dor e a duvida cortante sobre qual o caminho a tomar. Não escapou da depressão, apesar do carinho, da presença constante da sua esposa e dos filhos, e isso o levou à morte.
Givaldo Rosa para exercer sua vocação de servir, de ser justo, de ser útil, filou-se à Loja Maçônica Cotinguiba, e era um dos seus graduados membros, mas andava afastado. Os companheiros da Loja preparavam-se a fim de ir à sua casa visitá-lo, e fazer o convite para que ele voltasse a frequentar os trabalhos.
Infelizmente não houve tempo.

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