Com três meses de salários atrasados, vigilantes que prestam serviços para unidades escolares administradas pelo Governo do Estado decidiram cruzar os braços durante todo o dia de ontem. O problema ocorre de forma recorrente em virtude de a Secretaria de Estado da Fazenda não promover o repasse de verbas para as três empresas que prestam este tipo de serviço. Sem dinheiro em caixa para promover o fluxo financeiro, o setor empresarial tem se deparado com a necessidade extrema de inviabilizar a quitação dos direitos trabalhistas, e, de forma singular, se une à classe trabalhadora para pressionar o Estado.
Os problemas, segundo a direção do Sindicato dos Vigilantes de Sergipe (Sindivigilante/SE), não param por aí. Há meses o repasses do ticket-alimentação e do vale-transporte, não vêm sendo pagos, conforme previsto na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Mobilizador em frente à Secretaria de Estado da Educação (SEED), cerca de 50 trabalhadores criticaram a postura administrativa da SEFAZ, da própria pasta educacional, e reivindicaram apoio fiscalizatório por parte do Ministério Público do Trabalho (MPT). O secretário-geral do Sindivigilante/SE, Aclécio Aragão, não descarta a possibilidade de greve por tempo indeterminado.
"Não é de hoje que sofremos com esse tipo de injustiça social. Sim! Social porque esses atrasos recorrentes acabam desestruturando a base financeira de inúmeras famílias. Parece que não existe preocupação por parte do Estado em compreender o sofrimento sentido inicialmente pelas empresas, e, consequentemente, por tantos trabalhadores", declarou o sindicalista. Questionado pelo Jornal do Dia quanto as ameaças de greve geral, Aclécio informou que: "esse é um desejo de parte da categoria; esse assunto ainda não foi discutido pela direção sindical e apresentado em assembleia. Com o cenário que enfrentamos atualmente, não podemos apontar para a greve como algo fora de cogitação".
Pagamento – A Secretaria de Estado da Educação informou na tarde de ontem que os esforços econômicos foram realizados e espera que ainda hoje essa pendência seja regularizada. O repasse para as empresas será procedido, porém, por questões de burocracia no fluxo bancário, os pagamentos podem não estar disponíveis ainda nesta sexta-feira na conta dos trabalhadores. Segundo o assessor de comunicação do Sindivigilante/SE, Hélio Rocha, é de fundamental importância que o Estado realmente cumpra com as promessas caso não deseje se deparar com outras mobilizações."Não é interessante nem para os trabalhadores, nem para o Governo do Estado permanecer nesse conflito. Outras promessas de pagamento e regularização já foram apresentadas e demorou um pouco para serem cumpridas. Fora do prazo inicial, vale ressaltar. Esperamos que agora seja diferente porque a paciência já se esgotou", comunicou. (Milton Alves Júnior)


