Não foi por falta de aviso. Infeliz mente, muitos fizeram ouvidos de mercador. De acordo com os registros do Hospital de Urgência de Sergipe, a explosão dos fogos de artifício ainda encanta muita gente. Entre os aficionados pelo estouro breve, tão comum nos festejos de junho, não falta gente disposta a sustentar tamanha paixão até as últimas consequências.
Dedos e até mãos inteiras foram perdidas em um piscar de olhos. Somente no Huse, 56 deram entrada com queimaduras, ao longo dos últimos dias. Entre estas, 70% sofreu amputação.
Todo ano é assim. A direção do Huse promove uma verdadeira operação de guerra para receber as vítimas. Agora mesmo, foi reservada uma sala exclusiva para assistência imediata às vítimas de queimaduras. O espaço serviu de apoio à Unidade de Tratamento de Queimados e funcionará até o final do mês (30 de junho). Além disso, uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões plásticos, enfermeiros e técnicos de enfermagem estiveram de plantão 24 horas para atender à demanda. A estrutura reformada da UTQ, entregue no início do mês, contribui para a assistência desses pacientes.
A segurança dos forrozeiros também é atribuição do poder público, a quem cabe a fiscalização das estradas, o policiamento das festas, e a regulação sobre a venda de artefatos explosivos. A obrigação de zelar por si mesmo e pelos seus, no entanto, cabe a cada um, individualmente. No trânsito, em eventos populares, nas reuniões de família, a festa não precisa ser interrompida no susto.


