Policiais e agentes atacam governador em protesto

Gabriel Damásio

Em um forte tom contra o governador Belivaldo Chagas, a quem chamaram de "traidor" e "ditador", servidores de 14 categorias ligadas à segurança pública e ao sistema prisional promoveram uma manifestação na manhã de ontem, em frente ao Palácio de Despachos. Formando a chamada "Frente Unificada dos Operadores de Segurança Pública", o protesto reuniu entidades de classe que representam policiais civis e militares, bombeiros, peritos criminais, agentes penitenciários e agentes socioeducativos, entre outras. Aposentados e reformados da carreira também se uniram ao protesto.
Os manifestantes se concentraram em frente ao Teatro Tobias Barreto, no Distrito Industrial deixando o trânsito parcialmente congestionado no Viaduto Carvalho Déda, com reflexos nas avenidas Tancredo Neves e Heráclito Rollemberg. Ao saírem em caminhada para a frente do Palácio de Despachos, os servidores estenderam uma grande faixa amarela com o desenho do rosto de Belivaldo, seguido da frase "A próxima vítima do grande traidor pode ser você" e a hashtag "Belivaldo Traidor".

Os operadores de segurança usaram esse tom para reclamar de problemas que atingem as categorias, como a falta de revisão salarial, a não reestruturação das carreiras e a falta de estrutura e condições de trabalho. Uma das principais queixas foi a recente decisão do governo estadual de segurar o ‘Projeto OPC’, que unifica os cargos de agente e escrivão de polícia, criando a carreira de oficial de polícia. Ele chegou a ser discutido no âmbito da Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas não foi mandado para a Assembleia Legislativa. O governo alegou que a medida criaria mais despesas para as contas do Estado, provocando irritação entre os policiais civis.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol), Adriano Bandeira, a situação vem gerando um grande clima de insatisfação na categoria e reflete na auto-estima dos profissionais e no serviço que é prestado à população. Ele afirma que o poder de compra dos policiais diminuiu em mais de 40%, por causa das perdas salariais causadas pela inflação e não repostas pelo Estado há pelo menos sete anos. "A reposição inflacionária é a pauta que apresentamos agora ao governador. Ele precisa entender que hoje, os operadores de seguranças estão unidos, fortes e no início de uma luta, que será séria e dura. Entendemos que essa forma ditatorial de administrar, de não ter responsabilidade com a segurança pública, afetou diretamente o cidadão e os agentes de segurança", disse ele.
Adriano ainda atribuiu confirmou que uma hipótese de greve geral das categorias de segurança, incluindo o aquartelamento dos militares, chegou a ser debatida entre as entidades de classe, mas os manifestantes decidiram fazer um novo protesto de rua, no próximo dia 2. Na ocasião, será lançada uma cartilha de orientações aos operadores de segurança, semelhante à que o Sinpol preparou para conduzir a chamada ‘Operação OPC Legal’, uma série de procedimentos adotados na rotina diária dos agentes e escrivães de polícia, entre as quais está a comunicação por escrito das ocorrências registradas aos delegados de polícia, para que eles definam como tais casos serão investigados.

Os policiais militares também passaram a adotar uma espécie de ‘operação-tartaruga’, com aspectos semelhantes ao movimento "Tolerância Zero", deflagrado entre 2008 e 2010. Eles se queixam igualmente da desvalorização salarial. "O governador alega que está em um momento de crise, mas já reajustou o salário dele, da vice-governadora, dos seus apadrinhados que são nomeados quase todos os dias, com salários polpudos. Estão deixando o servidor numa situação de arrocho salarial. Não suportamos maios isso. Mesmo com tudo isso, conseguimos reduzir os índices de violência. E mesmo assim, o governador deixa as nossas instalações sucateadas, sem condições de trabalhar. A pior greve da segurança pública é a da insatisfação. A gente não pode viver nesse clima de pressão", critica o sargento Jorge Vieira, da Associação dos Militares de Sergipe (Amese).

Em nota, o governo do estado afirmou que "respeita, de forma democrática, toda e qualquer manifestação das categorias de trabalhadores", mas, "infelizmente, devido as grandes dificuldades financeiras pela qual a administração estadual passa, não há espaço financeiro para atender as reivindicações sob pena de não se ter recursos para honrar qualquer tipo de reajuste que impacte na folha de pagamento. Sobre os aumentos salariais concedidos no primeiro escalão, o governo disse que os secretários tiveram um aumento de R$ 1 mil concedidos após 10 anos de salários congelados, enquanto o do governador Belivaldo Chagas seguiu uma lei estadual da década de 1980, que atrela automaticamente o salário do chefe do Executivo aos dos desembargadores do Tribunal de Justiça (TJSE).

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