Milton Alves Júnior
Os tomógrafos do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, voltaram a apresentar problemas técnicos. As máquinas estavam sem funcionar desde o último dia 4. Em nota divulgada na noite de ontem, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou que o tomógrafo do Pronto Socorro voltou a funcionar após a substituição de uma peça, mas, para não sobrecarregar o equipamento e para garantir 100% da assistência aos pacientes, alguns exames continuarão sendo feitos pelas empresas contratadas, como a Clinrad e o Hospital Cirurgia. Em relação ao segundo tomógrafo, no Centro de Oncologia, a SES Saúde informa que já está em tratativas com a Empresa Siemens, fabricante do aparelho, e em breve terá mais informações sobre prazos para funcionamento.
Na segunda-feira, a representante da ONG Mulheres de Peito, Sheila Galba, voltou a criticar o Governo de Sergipe pela reincidência do caso e suspensão por tempo indeterminado do acolhimento às pessoas usuárias do sistema. Conforme destacado na semana passada, a direção hospitalar tem realizado um serviço de triagem, quando os pacientes com quadro clinico mais grave são encaminhados prioritariamente às dependências da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (HC), também situado na capital sergipana. Para Galba, esse tipo de ação paliativa deveria ser adotado pelo Estado apenas em situações consideradas extremas. Acontece que, segundo contabilidade negativa realizada pela ONG, essas transferências já foram registradas em quatro oportunidades em menos de um ano.
"Esse tipo de problema é constante, para a nossa tristeza e preocupação. A impressão que passa é que tornou uma situação normal e o governo não age para mudar essa realidade. Os dois aparelhos estão quebrados, sem funcionar. E há um terceiro que está encaixotado, de 64 canais, há mais de um ano. Só existem apenas três aparelhos (de 64 canais) desses no estado. E eles ainda estão terceirizando o serviço. O tomógrafo, além de propiciar a detecção do tipo de câncer e o seu estágio, auxilia no planejamento da radioterapia do paciente", declarou. A SES informou que, apesar da paralisação temporária do serviço no Huse, não houve desassistência aos pacientes, pois os exames estavam sendo realizados no Hospital Cirurgia.
Já na manhã de ontem foi a vez de uma jovem de 30 anos de idade, vítima de um atentado no último dia 02, também se queixar do problema. Ela foi vítima de um assalto em um ônibus da linha Santa Maria/Mercado quando foi baleada na cabeça e perdeu a visão de um dos olhos. De acordo com a denunciante, por falta de procedimento hospitalar, a bala permanece alojada na face dela. Os familiares alegam que a paciente necessita enfrentar um procedimento cirúrgico destinado à retirada da bala, mas antes disso é preciso realizar uma tomografia.


