Gabriel Damásio
A Polícia Civil sergipana desbaratou uma qua drilha que atuava no desvio de cargas de queijo e derivados. Três pessoas tiveram suas prisões decretadas pela Justiça sergipana e foram detidas nas cidades de Entre Rios (BA), Alcobaça (BA), e Governador Valadares (MG). Uma quarta pessoa, apontada como chefe da quadrilha, está foragida. Segundo a polícia, eles causaram um prejuízo de cerca de R$ 500 mil à empresa Laticínios Natville, de Nossa Senhora da Glória (Sertão), que teve uma de suas cargas desviada.
As investigações acontecem desde o dia 27 de dezembro, quando a polícia sergipana montou uma força-tarefa para apurar a falsificação de uma carga de mussarela, manteiga e queijo prato. O delegado Jorge Eduardo dos Santos, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), explicou que o chefe do grupo se passava por proprietário de grandes empresas e comprou os produtos da Natville, utilizando documentos falsificados e mensagens eletrônicas hackeadas.
"O esquema era montado de forma de que o líder se fazia passar por proprietário de empresas renomadas e efetuada compras com esses documentos falsos e e-mails. A organização agia de forma bastante hábil, modificando as embalagens dos produtos e falsificando-os com logomarcas de uma empresa do Paraná. Assim, eles dificultaram a ação da polícia e da fiscalização", explicou Eduardo, ao explicar que as compras não eram pagas efetivamente e as cargas eram destinadas a receptadores que revendiam o produto no varejo.
A polícia rastreou testemunhas e imagens de câmeras de segurança, e descobriu que o queijo desviado em Sergipe foi retirado da empresa em Glória e levado para um galpão em Teófilo Otoni (MG). Ali, a carga era transferida (baldeada) para outro caminhão, que partia vinte minutos, como forma de despistar a polícia. O objetivo era levar as cargas até o depósito de uma distribuidora de alimentos, em Governador Valadares. Apurou-se ainda que o esquema criminoso contou com a participação de alguns caminhoneiros.
Segundo a polícia, era em Governador Valadares onde as embalagens dos queijos sergipanos eram retiradas e os produtos eram novamente embalados, mas com etiquetas falsificadas do Laticínio Lactopar, sediado em Laranjeiras do Sul (PR). Parte da carga também foi transformada em mussarela fatiada para a venda. Durante as diligências, policiais sergipanos e mineiros encontraram parte da carga desviada, avaliada em R$ 150 mil. Houve ainda a apreensão de oito veículos, incluindo três caminhões, que segundo a polícia, foram utilizados na prática do golpe. Os bens podem ser sequestrados pela Justiça para ressarcir os prejuízos da Natville, e a carga será devolvida.
A investigação do caso contou com policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), da Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) e das delegacias regionais de Lagarto e Nossa Senhora da Glória. Houve ainda as colaborações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das polícias Civil e Militar da Bahia e de Minas Gerais.

