Os sindicatos de servidores continuam contra a terceirização dos serviços e prometem se reunir nesta segunda-feira, para definir planos de ação e buscar uma conversa definitiva com o secretário estadual de Saúde, Valberto Oliveira, além de audiências com o Ministério Público. Os servidores fizeram uma nota de repúdio, apontando prejuízos para a população e demissão de servidores caso o plano fosse aprovado e implementado na forma como foi proposta. Shirley Morales aponta que a resolução do Conselho "deu praticamente um cheque em branco" para que o Estado toque a terceirização em frente.
"O grande medo dos profissionais é de transferências involuntárias ou possíveis demissões. Sendo parte dos servidores celetistas [contratados pela CLT], sempre há o perigo de exoneração. A transferência dos concursados ou estatuários da Fundação Hospitalar é real. Nós tivemos uma situação semelhante no Hospital Regional de Lagarto, que foi ‘quarteirizado’ para a Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares]. Houve transferência de pessoal para outras lotações. Muitos colegas enfermeiros e de outras categorias sofreram bastante, porque já tinham residência fixa em Lagarto, foram mandados para locais distantes e não solicitados, sofreram muita humilhação", disse Shirley, referindo-se ao que pode ocorrer no Hospital de Glória.
Quanto ao Samu, a enfermeira aponta outra questão complicadora: os servidores ligados ao Estado podem ser retirados e mandados para outras unidades, assim como os funcionários que foram cedidos ao Estado pelo Município de Aracaju, quando a gestão do Samu foi trocada em 2008. "Temos ainda diversos problemas com as empresas privadas, que dizem respeito aos direitos do trabalhador. Tem a questão do assédio moral, a terceirizada fragmenta mais os trabalhadores em regimes diferentes, e uma convivência mais complicada, porque é o mesmo serviço, mas com regras diferentes. A situação vai ficar ainda mais caótica do que já é", afirma Shirley.
O vice-presidente do Conselho, Eduardo Ramos Gomes, garantiu que mesmo com a terceirização, todos os servidores serão absolvidos e não haverá transferências ou demissões. E que o modelo de gestão das unidades será avaliado anualmente, podendo ser extinto caso fracasse. Procurada pelo JORNAL DO DIA, a SES informou que não há nada de concreto quanto à resolução do Conselho, mas a pasta ainda está analisando modelos de gestão compartilhada do Samu em outros Estados, bem como a viabilidade do modelo de gestão compartilhada para administrar o Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória. Segundo a secretaria, os estudos estão em andamento, mas ainda não há nada definido. (Gabriel Damásio


