*João Daniel
Terminado um ano e dois meses do governo Bolsonaro, a economia brasileira patina, o povo continua desempregado e sem esperança e o presidente e seus porta-vozes insistem em manter uma crise institucional, conclamando seus seguidores para fazer manifestações contra o Congresso e o Poder Judiciário.
Como diz o economista João Pedro Stédile, "a situação econômica se transformou em crise social, porque os capitalistas jogaram todo o peso de suas mazelas sobre os trabalhadores e os mais pobres. Nunca tivemos índices tão alarmantes de desigualdade social."
Segundo o IBGE, o ano de 2019 começou com um forte aumento no desemprego, que atingiu 12,7% no primeiro trimestre, antes de começar a tendência de queda, embora um dos principais fatores para a melhoria do índice foi o aumento de trabalhadores sem carteira, atingindo um recorde de quase 30 milhões de pessoas na informalidade.
A Carteira Verde e Amarela, o "bolsa-patrão", programa de Bolsonaro, não resolve problema do desemprego. Segundo o DIEESE, o novo contrato desconstrói direito à remuneração das férias, à gratificação de férias, ao 13º e ao FTGS, incorporando-os ao pagamento mensal e não será capaz de gerar empregos no Brasil, beneficiando apenas os empresários com uma grande desoneração.
Apesar dos otimistas do governo e de parte da mídia que, ao que parece, ainda aposta na condução da política econômica feita pelo ministro Paulo Guedes, o Banco Central informou, no último dia 14, que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de prévia do PIB, teve queda de 0,27% em dezembro e fechou o ano com alta de 0,89%. Um "pibinho" que em outros tempos alarmava todos os setores da mídia.
A massa real de salários caiu 1,9%, assim como o rendimento médio real do trabalhador, que recuou 1,5%. As horas trabalhadas na produção também despencaram 0,5% e o emprego apresentou uma queda de 0,3%. Apenas a produção industrial registrou alta na comparação com 2018, mas não o suficiente para ter uma repercussão positiva sobre o emprego e faturamento, como aponta a nota da entidade.
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de fevereiro deste ano, mostram que a indústria opera com uma capacidade ociosa em torno de 23%. Apesar de poder produzir mais, isso não ocorre por conta da falta de consumo e demanda interna, causada em parte pelos baixos salários.
Ao invés do país exportar produtos industrializados, pela capacidade de transformação da nossa indústria, está exportando produtos primários e a indústria que está transformando esse produto primário é a de outros países que importam os nossos produtos, conforme reclama a CNI.
Na área do petróleo, segundo a Associação de Engenheiros da Petrobras, está sendo feita uma sucessão de erros, onde você tem uma capacidade de refino inferior à produção nacional, e assim exporta petróleo e importa derivados.
Para Bolsonaro, a Petrobras deve ficar com apenas 50% do refino, quando deveria incentivar empresas privadas a construir refinarias e não vender a preço de banana as da Petrobras.
O professor Ildo Sauer, do Instituto de Energia da Universidade de São Paulo (USP), destaca a gravidade das decisões tomadas pelo governo Bolsonaro em relação à privatização da Petrobras e à venda de campos de petróleo do pré-sal. Ele diz que a privatização e o desmonte do setor energético é um crime contra o país e trará sequelas profundas e irreversíveis para o desenvolvimento do país.
E a lógica do governo Bolsonaro é a de transferir o nosso patrimônio industrial, a exploração dos nossos minérios e terras na Amazônia para o capital, de preferência estrangeiro.
Assim, o governo avança sobre as reservas de petróleo e do gás, sua distribuição e ampliaram a exploração dos minérios, da água e da biodiversidade, assume o plano de privatizar empresas estatais que não são deficitárias e dão muito lucro, vendendo para empresas privadas partes da Petrobras, e promovendo gestões para entrega da Eletrobras, Correios e, em breve, o Banco do Brasil e a Caixa.
Na área ambiental, o caminho proposto é da entrega do nosso território em uma grande área de exportação de nossos produtos agrícola e minerais, avançando sobre as terras indígenas, quilombolas e os acampamentos e assentamentos de pequenos agricultores, sem a preocupação com os prejuízos ambientais e sociais.
Em meio a todo esse quadro, o presidente, sua família e alguns dos seus ministros se põem a incitar a população contra o Congresso e o Poder Judiciário, com ameaças ao nosso sistema democrático.
Diante de uma insatisfação cada vez maior da sociedade que já não aguenta as enganações do governo e falta de esperança de um futuro de emprego, educação e saúde, Bolsonaro utiliza dos mesmos meios eleitorais das "fake news" para se dizer perseguido e divulgar as suas propostas ditatoriais.
Combater essas ameaças e assumir um protagonismo de luta em defesa de um país justo, igualitário e solidário é dever de toda a sociedade, evitando a entrega definitiva do país ao grande capital nacional e estrangeiro.
*João Daniel, deputado federal, coordenador do Núcleo Agrário do PT na Câmara

