Gabriel Damásio
As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com leitos exclusivos para casos de pacientes com coronavírus podem entrar em colapso a qualquer momento no Estado. Alguns hospitais da capital já estão com a capacidade esgotada e estão tendo que recorrer a leitos disponíveis no interior ou a vagas do próprio hospital destinadas a outros tipos de doença. Dados da própria Secretaria de Estado da Saúde (SES) já apontam para a possibilidade de colapso no sistema de saúde, com o crescimento rápido dos casos da doença e dos pacientes que dão entrada em estado grave.
De acordo com o boletim divulgadoanteontem (o mais recente divulgado até o fechamento desta edição), 299 pacientes com coronavírus estavam internados, sendo 139 em leitos de UTI e 160 em leitos clínicos. O Estado tem hoje 161 vagas de UTI, com 81,2% de ocupação na rede pública e 92,1% na rede particular. A situação mais grave era a do Hospital São Lucas, um dos principais da rede particular de Aracaju, que tinha 28 pacientes em estado grave para 26 leitos de UTI, o que a colocou com taxa de ocupação de 107,7%. A explicação é de que a unidade intensiva do São Lucas tinha 26 vagas destinadas a casos de Covid-19, sendo 20 para adultos e seis pediátricas, e que o excedente foi alocado em leitos de contingenciamento.
Já no final de semana, a situação se repetiu no Hospital de Cirurgia, que abrigou 12 pacientes na ala reservada aos pacientes de convênios e do Ipesaúde (servidores públicos do Estado e dependentes), mesmo tendo ela 10 vagas, o que equivale a 120% de ocupação. No último boletim, os pacientes excedentes foram transferidos e a taxa caiu para 100%, mesmo índice alcançado pelo Hospital Gabriel Soares (da rede Hapvida), que estava com todos os cinco leitos de UTI ocupados. E os hospitais Primavera e da Unimed estavam, cada uma, com apenas com duas vagas disponíveis para pacientes com coronavírus.
Na rede pública, a situação não é diferente. O Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, alcançou os 100% de ocupação em sua UTI, com 28 pacientes internados. Já o Cirurgia, em sua ala destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a ocupação foi de 95%, com apenas uma vaga disponível e nove ocupadas. As unidades com mais vagas de UTI disponíveis eram o Hospital Regional Jessé Fontes, em Estância, com cinco leitos; e os hospitais universitários de Aracaju (quatro leitos) e Lagarto (cinco).
Uma situação que acendeu o sinal de alerta nesse sentido aconteceu neste domingo, quando dois idosos, tiveram que ficar seis horas em ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), esperando a liberação de vagas em UTIs. Um senhor de 91 anos e a filha dele, de 63, apresentaram sintomas de coronavírus foram socorridos em casa, na Avenida Carlos Burlamarqui (Centro da capital), onde várias ambulâncias de suporte básico e avançado se revezaram no atendimento. A agonia durou até às 19h30, quando eles acabaram transferidos para o Hospital de Estância e foram internados em estado grave, mas estabilizado. Pai e filha testaram positivo para coronavírus.
Já na segunda-feira, um terceiro paciente, de 80 anos, ficou cerca de oito horas dentro de uma ambulância à espera de uma vaga de UTI, que só conseguiu em Estancia. O idoso sofreu uma convulsão ainda em sua casa e foi levado para uma unidade de saúde no Mosqueiro, zona de expansão da capital. Lá, o Samu foi acionado por volta das 9h, colocou o paciente na ambulância às 11h e a transferência para Estância só aconteceu às 19h32.
A SES informou que os leitos de estabilização das duas urgências da Capital (Fernando Franco e Nestor Piva) estão totalmente ocupados, e com pacientes graves, aguardando transferências para leitos de UTI, que estão ocupados. A secretaria informou ainda que os pacientes em ambulâncias só podem ser recebidos em hospitais quando as vagas de UTI forem surgindo. A pasta informou ainda que está finalizando para esta semana a montagem de novos leitos de UTI, dentro do planejamento que estava previsto no começo da pandemia, mas a distribuição destes leitos também está em definição e será divulgada posteriormente. Esta montagem está condicionada à compra de insumos e de equipamentos, como respiradores que estão em falta no mercado e precisam ser buscados até fora do país.
Já na área de retaguarda, que são casos clínicos de observação, são 348 leitos de enfermaria. Na rede privada, são 98 vagas, com69,4% de ocupação. Já na rede pública, a ocupação é de 36,8%, graças ao reforço de leitos do hospital de campanha implantado pela Prefeitura de Aracaju, no Estádio João Hora. A PMA oferece 146 leitos, contra 104 da rede estadual.

