Destaque da cena paulistana contemporânea, construindo seu chão entre seus timbres particulares e seu humor certeiro, Marina Melo lança seu primeiro trabalho após o elogiado "Estamos aqui" – destaque na Folha de S. Paulo, Revista RG, Noize e outros sites de cultura pop.
Em meio a suspensões mil, a artista que completou 30 anos nesse 30 de julho se viu diante de novas provocações. Pandêmicas provocações, digamos. Com suas letras curtas e espertas, forjadas sobre sacadas cheias de sagacidade, Marina retomou sua escrita motivada primeiro pelo afeto – mas sem perder de vista toda a graça um tanto incrédula da situação. A inspiração veio de uma fagulha lançada diariamente por sua… vizinha.
No começo da quarentena, todos os dias, depois do panelaço, Marina ouvia em altíssimo volume uma música ecoar pelo bairro. Cada dia uma canção diferente. Era uma moradora do prédio ao lado da vila em que mora, que todos os dias escolhia uma canção para dividir com os companheiros de #fiqueemcasa. Em retribuição, a artista compôs "Cara vizinha," – disponível em todas as plataformas nessepelo selo Cada Instante, abrindo caminho pro seu novo EP -, um agradecimento à luz que aquele gesto lançava sobre os dias em looping, se repetindo entre o tédio e o medo. A canção ganha ainda um videoclipe filmado a distância, pelo computador.
"Era uma experiência muito forte, e vivida coletivamente. Ela escolhia uma canção que sempre dialogava com algo que tinha acontecido, e colocava bem alto. Muitas pessoas dançavam, outras balançavam lanternas, outras apenas iam para varanda espiar. Era uma dose diária de beleza e alguma fé na humanidade", explica Marina.
Diferente de seu mais recente álbum – minimalista, cheio de vazios e silêncios -, "Cara vizinha," chega preenchida por timbres diversos, cordas, e beats mais intensos (e como não ser diferente do antes?). Marina Melo ainda faz bela introdução, um prenúncio do coração quente que virá com a canção.

