O sergipano Sergiva lacaba de ser agra ciado com o Prêmio Grão de Música 2020, junto a 14 artistas dos quatro cantos do Brasil. Além da felicidade de ter o trabalho reconhecido, ele vai integrar uma coletânea embalada com a arte de ElifasAndreato, além de participar de cerimônia na capital paulista, em dezembro. Festança, o seu álbum mais recente, celebra as raízes sergipanas e não passou despercebido pelos ouvidos mais atentos. No texto abaixo, retirado dos arquivos do Jornal do Dia, o jornalista Rian Santos festeja as virtudes mais salientes do registro.
Made in Sergipe –Sergival completou 30 anos de carreira e comemorou o feito com a produção de um documento valioso sobre o forró made in Sergipe. Valioso e oportuno. Ao contrário do esperado, diferente dos registros de caráter estritamente cartorial, ancorados na memória afetiva de quem seja, ‘Festança’ (2016) não tem nada de passadista. Nem uma ponta de nostalgia. O tom é de celebração.
Um repertório dos mais acesos – Firme e forte e arretado. Banda e arranjos concorrem para a impressão de vigor pontuado as 13 faixas do CD. De pareia com músicos consagrados, a exemplo de Carlos Balla (bateria) e Silvério Pontes (trompete), Sergival restaura verdadeiros clássicos do cancioneiro Serigy, sacudindo a poeira de sonoridades datadas há muito, superando o maior pecado dos registros originais.
Livres do peso de tantos anos, composições assinadas pelo forrozeiro Rogério, por exemplo, ganham vida e um ímpeto surpreendente. Ismar Barreto, Jorge Ducci, Erivaldo de Carira, a dupla Zé Roseno e Marluce, a nata da música para sanfona e zabumba de acento sergipano, em suma, é honrada com uma leitura cheia de viço. Os nossos, aqui e agora, cobertos de pompa, com toda a alegria a que têm direito.
Tárik de Souza atribuiu à ‘Festança’ de Sergival o adjetivo incandescente. Eu assino embaixo. O forró daqui, resta provado, "é mesmo de arrepiar".


