Na recente cerimônia de entrega do Grammy Latino, o vencedor de Melhor Disco de Samba pode até ter sido uma surpresa para o grande público, mas não para os artistas e profissionais da área. Celebrando 70 anos de vida e 50 de carreira, o músico Cláudio Jorge (com o disco Samba Jazz, de raiz) venceu um time de ídolos formado por Maria Bethânia (Mangueira, a menina dos meus olhos), Martinho da Vila (Martinho 8.0 – Bandeira da fé: um concerto), Zeca Pagodinho (Mais feliz) e Moacyr Luz com Samba do Trabalhador (Fazenda samba).
Assim como o jazz, com suas raízes populares e africanas, cheio de síncopes e improvisações, para Cláudio Jorge o samba tem a mesma origem, a mesma força universal, capaz de tocar qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. "Os pretos que fundaram o samba são os pretos que fundaram o jazz, expressões de negros africanos na diáspora. Se o Brasil fosse uma potência, a música americana é que sofreria influências do nosso samba", afirma. "O samba vai para onde ele quiser ir, tem vida própria porque está muito além de ser apenas um ritmo. O samba é trilha sonora de um estilo de vida. Por isso é eterno, pois é o dia a dia de muita gente, é um potente lugar de fala".
Músico brasileiro nascido no Rio de Janeiro, Cláudio Jorge iniciou como violonista de gente como Ismael Silva e Cartola e, logo depois, Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus, Simone, Renato Russo, Ney Matogrosso, Leny Andrade, Alcione, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, João Donato, Lecy Brandão, Beth Carvalho, Ivan Lins, Fundo de Quintal, João Nogueira e Martinho da Vila, com quem se apresenta até hoje.
Antes de vencer com o disco Samba Jazz, de raiz, que tem como convidados especiais Fatima Guedes, Ivan Lins, Mauro Diniz e Frejat, Cláudio Jorge já havia sido indicado ao Grammy Latino de Melhor Disco de Samba, em 2002, com Coisa de Chefe. Suas composições já foram gravadas por astros como Emílio Santiago, Ângela Maria, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Zezé Mota, Jorge Aragão, Sivuca, Sérgio Mendes, Diana Warwick, Lisa Ono e, claro, Martinho da Vila, entre muitos outros. Entre seus parceiros de composição, muitos ídolos como Cartola, João Nogueira, Aldir Blanc e Arlindo Cruz.


