Lô Borges lança 'Muito além do fim'

 

Lô Borges aproveitou a pandemia para compor. E reativou a parceria com o irmão Márcio Borges, adormecida há nove anos. Essa irmandade poética e musical entre os dois filhos de Salomão e Maricota é das mais profícuas da música brasileira.
Eles estão certamente entre as maiores duplas de compositores que já tivemos. Como Milton e Fernando Brant; Beto Guedes e Ronaldo Bastos; João Bosco e Aldir Blanc; Roberto e Erasmo; Chico e Edu; Baden e Vinícius. Eles criaram uma marca, um estilo próprio de encaixar música e letra.
Márcio Borges, só pelo fato de ter convencido o adolescente Bituca a começar a compor e tornar-se seu primeiro parceiro já teria garantido um lugar especial no panteão da música brasileira. Mas ele fez mais, também foi o responsável por iniciar o irmão Lô, ainda pré-adolescente, na vida musical. E se tornou seu principal parceiro, o mais importante, o mais imprescindível. Tanto que a obra dos dois é indissociável. 
Juntos compuseram clássicos como "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo", "Clube da Esquina nº 2" (também com Milton Nascimento), "Para Lennon e MacCartney" (também com Fernando Brant), "Tudo que Você Podia Ser", "Equatorial (também com Beto Guedes), "Estrelas", "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", "Não Se Apague Esta Noite", "Ruas da Cidade", "Trem de Doido", "Sempre Viva", "Ela", "Pão e Água" (também com Roger Mota) entre tantas outras.
Agora eles entregam nada menos que dez canções inéditas. Algumas delas, apesar de inéditas em disco, têm já uma trajetória longa. "Terra de Gado" por exemplo foi composta em 1999 e nunca havia sido gravada por Lô. Já "Piano Cigano", que encerra o álbum, foi composta ao piano por Lô em 1978 e ganhou letra de Márcio em 2020.
As canções nos fazem mergulhar no universo onírico característico de suas parcerias, mas sempre fazendo emergir desse mergulho encharcados de realidade e de beleza, tanto quanto de indignação e inconformismo. O disco se abre com uma música solar, coisa "Muito Além do Fim", que dá nome ao disco, onde Lô canta junto com Paulinho Moska os versos inspirados que anunciam quase em um vaticínio: "O movimento do momento cósmico / Me diz que poderá surgir /Algum juízo nesses homens sórdidos".
Márcio está mais político, mais cético e mordaz. Lô está mais conciso, mais incisivo e direto. O disco tem uma pegada roqueira. Foi gravado por um trio de baixo, guitarra e bateria. Mais o violão de nylon vigoroso de Lô, que também não se reuniu com a banda em nenhum momento. Foi tudo feito conforme recomenda a OMS, com distanciamento. Mas com muita proximidade de ideias, de afinidades musicais, de vontade de tocar.
Esse reencontro dos irmãos traz as marcas desse ano tão difícil. Eles compuseram o álbum à distância, sem se encontrar uma única vez, já que Lô está isolado em seu apartamento em Belo Horizonte e Márcio no seu refúgio na Serra da Mantiqueira, em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. A distância, contudo, não impediu que eles se irmanassem mais uma vez e nos dessem de presente mais um pouco de esperança, de sonho e de vislumbre.

Lô Borges aproveitou a pandemia para compor. E reativou a parceria com o irmão Márcio Borges, adormecida há nove anos. Essa irmandade poética e musical entre os dois filhos de Salomão e Maricota é das mais profícuas da música brasileira.
Eles estão certamente entre as maiores duplas de compositores que já tivemos. Como Milton e Fernando Brant; Beto Guedes e Ronaldo Bastos; João Bosco e Aldir Blanc; Roberto e Erasmo; Chico e Edu; Baden e Vinícius. Eles criaram uma marca, um estilo próprio de encaixar música e letra.
Márcio Borges, só pelo fato de ter convencido o adolescente Bituca a começar a compor e tornar-se seu primeiro parceiro já teria garantido um lugar especial no panteão da música brasileira. Mas ele fez mais, também foi o responsável por iniciar o irmão Lô, ainda pré-adolescente, na vida musical. E se tornou seu principal parceiro, o mais importante, o mais imprescindível. Tanto que a obra dos dois é indissociável. 
Juntos compuseram clássicos como "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo", "Clube da Esquina nº 2" (também com Milton Nascimento), "Para Lennon e MacCartney" (também com Fernando Brant), "Tudo que Você Podia Ser", "Equatorial (também com Beto Guedes), "Estrelas", "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", "Não Se Apague Esta Noite", "Ruas da Cidade", "Trem de Doido", "Sempre Viva", "Ela", "Pão e Água" (também com Roger Mota) entre tantas outras.
Agora eles entregam nada menos que dez canções inéditas. Algumas delas, apesar de inéditas em disco, têm já uma trajetória longa. "Terra de Gado" por exemplo foi composta em 1999 e nunca havia sido gravada por Lô. Já "Piano Cigano", que encerra o álbum, foi composta ao piano por Lô em 1978 e ganhou letra de Márcio em 2020.
As canções nos fazem mergulhar no universo onírico característico de suas parcerias, mas sempre fazendo emergir desse mergulho encharcados de realidade e de beleza, tanto quanto de indignação e inconformismo. O disco se abre com uma música solar, coisa "Muito Além do Fim", que dá nome ao disco, onde Lô canta junto com Paulinho Moska os versos inspirados que anunciam quase em um vaticínio: "O movimento do momento cósmico / Me diz que poderá surgir /Algum juízo nesses homens sórdidos".
Márcio está mais político, mais cético e mordaz. Lô está mais conciso, mais incisivo e direto. O disco tem uma pegada roqueira. Foi gravado por um trio de baixo, guitarra e bateria. Mais o violão de nylon vigoroso de Lô, que também não se reuniu com a banda em nenhum momento. Foi tudo feito conforme recomenda a OMS, com distanciamento. Mas com muita proximidade de ideias, de afinidades musicais, de vontade de tocar.
Esse reencontro dos irmãos traz as marcas desse ano tão difícil. Eles compuseram o álbum à distância, sem se encontrar uma única vez, já que Lô está isolado em seu apartamento em Belo Horizonte e Márcio no seu refúgio na Serra da Mantiqueira, em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. A distância, contudo, não impediu que eles se irmanassem mais uma vez e nos dessem de presente mais um pouco de esperança, de sonho e de vislumbre.

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