De acordo com as previsões mais conservadoras, quase duzentos mil brasileiros devem morrer até agosto, vítimas das omissões criminosas do governo federal, em associação com a Covid-19. As projeções levam em conta as deficiências do Plano Nacional de Imunização, além da insuficiência de testes. Isso tudo, mais o poder de fogo devastador do vírus, naturalmente.
O Brasil pode chegar a 575,6 mil mortes no dia 1º de agosto no cenário mais provável projetado pelo Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. No pior cenário, o país atingirá 688,7 mil óbitos no mesmo período. O instituto também avalia que é possível a ocorrência de uma terceira onda a partir do final de maio.
Tudo vai depender do comportamento da população. Na ausência de uma liderança competente para orientar os brasileiros rumo a uma conduta coletiva responsável, capaz de servir de exemplo, cada um terá de responder por si mesmo. Os números do contágio, mais o colapso das redes públicas e privadas de saúde, no entanto, recomendam prudência. Evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social e usar a máscara podem fazer a diferença entre uma vida longa, duradoura, e a morte prematura.
Infelizmente, Bolsonaro pegou o caminho errado, alheio ao bom senso, deliberadamente. O resultado se vê nas estatísticas e nas ruas. Último domingo, incentivados pelo negacionismo aboletado no primeiro escalão da República, entusiastas do presidente pediram o fim das medidas de restrição contra o coronavírus e foram além: Os insensatos clamam por um golpe militar, a destituição dos ministros do STF e o fechamento do Congresso Nacional.
Não é à toa, portanto, que o País virou um caso único no mundo. Por aqui, há quem não ligue para a espada que paira sobre o pescoço de centenas de milhares de brasileiros e também sobre a própria democracia.


