A partir da próxima se gunda-feira (23), to dos os professores da rede estadual, e dos 74 municípios sergipanos [com exceção de Aracaju], devem retornar às atividades presenciais. Em estado de greve desde o final do semestre passado, a classe trabalhadora vinha relutando contra a possibilidade de voltar às salas de aulas e laboratórios antes que todos os servidores da educação estivessem devidamente imunizados com a segunda dose da vacina contra a Covid-19. O governo de Sergipe havia deliberado por este retorno na última terça-feira (17), mas a categoria – em sua maioria -, não aderiu; na manhã do dia seguinte, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese) foi notificada pelo Tribunal de Justiça.
O documento protocolado apresentava uma decisão expedida pelo desembargador Osório de Araújo Ramos Filho, a qual tornava o ato grevista como ilegal. Conforme previamente garantido pela entidade sindical junto ao JORNAL DO DIA, assim que esse documento fosse oficialmente apresentado, uma assembleia geral e extraordinária seria agendada com o objetivo único de discutir o encaminhamento da greve. Na tarde de ontem esse encontro virtual foi realizado e os docentes, mesmo que sem unanimidade, votou pelo retorno às atividades presenciais. Ainda segundo estatística realizada pelo Sintese, todos os educadores que atuam na educação pública de Sergipe devem estar 100% imunizados [incluindo segunda dose ou dose única] apenas na segunda quinze setembro.
Minutos após a conclusão da assembleia, a presidente sindical, Ivonete Cruz, conversou por telefone com o JD e declarou que o desejo da maioria, em ação democrática, será atendido. "Apesar de atender e respeitar à ordem judicial, queremos mais uma vez destacar o risco que é retomar as atividades presenciais sem que ao menos 70% dos trabalhadores e estudantes estejam completamente vacinados e imunes a complicações capazes de serem provocadas pelo coronavírus. Fomos notificados na quarta, menos de 48h realizamos uma assembleia quando foi aprovado o retorno. Esperamos apenas que as promessas de múltipla segurança sanitária sejam realmente aplicadas pelo governo de Sergipe; caso isso não aconteça, não descartamos a possibilidade de novas suspensões das aulas presenciais", disse.
No que envolve a questão das condições de proteção à saúde coletiva, o Sintese diz que a maioria das instituições de ensino não possuem as condições necessárias para evitar contágios. Diante disto, orienta que professores e professores se mobilizem nas escolas para que avaliem se a unidade de ensino tem efetivamente as condições para o retorno imediato presencial, e, a partir disso, construam um calendário de retorno. "Suspendemos a greve pela vida, mas isso não significa o fim da nossa luta para que as escolas tenham as condições sanitárias, pedagógicas e se garanta a imunização dos trabalhadores da Educação. O espaço de luta agora é no chão da escola", afirmou a presidente.
Quadro funcional – Por meio de nota, compartilhada pela Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe, os dirigentes sindicais denunciaram uma possível ausência de funcionários capacitados para higienizar as dependências internas das escolas. "A falta de pessoal é gritante em diversas escolas, muitas têm somente um servidor para fazer a limpeza, um para a portaria e um para servir a alimentação escolar em cada turno. Dessa forma não há como se cumprir os protocolos para garantir o mínimo de segurança contra a transmissão da Covid-19", afirmou o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.


