* Rian Santos
Um pão Jacó, desses vendidos na pada ria da esquina, mais uma boa porção de cebola e carne de costela desfiada. O recheio vai à chapa, banhado em manteiga de garrafa, sobre uma lapada de queijo coalho. Por cima de tudo, uma colherada de maionese caseira.
Esta ode à simplicidade, aos verdadeiros prazeres da vida, ganha volume, entoada em alto e bom som, todo sábado e domingo, bem no meio da feira. Falo do Mercado Augusto Franco, onde a fila que se forma logo cedo recomenda o sanduíche. Eu talvez ignorasse a sugestão dos clientes alinhados com a gulodice estampada na cara. Mas a comadre Rebeca Vieira, grávida de oito meses, tinha água na boca. Ricardo também. Gabi nasceu sob o signo de Touro, não é preciso dizer mais nada: a criatura é faminta por natureza e culpa das estrelas. Enfrentamos a fila, nós quatro. Ninguém se arrependeu.
O Mercado Augusto Franco, os desavisados fiquem sabendo, é perfeitamente organizado. Encontra-se, ali, de um tudo, sem melar os pés, sem esbarrar em ninguém. Talvez eu seja mesmo um sujeito de sorte, mas apesar do grande fluxo de consumidores encontrei uma vaguinha para estacionar o carro, fácil, fácil, sem pestanejar.
Gosto do clima de feira. Das cores vivas e do burburinho. Gosto de pagar um preço justo por uma refeição saborosa. Gosto, sobretudo, de pressentir o mínimo de verdade em volta de mim. Há quem me julgue por opinar sobre filmes, discos, livros, situações, pessoas, sem apresentar as credenciais do especialista. Apois, os desafetos de plantão podem acrescentar um bom rango à lista de meus interesses. De fato, escrevo sobre tudo e qualquer coisa que me emociona. Sou feliz assim.
* Rian Santos, jornalista.


