Pão caro
Publicado em 16 de setembro de 2021
Por Jornal Do Dia
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, di vulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Ge ografia e Estatística, demonstra com a fria clareza matemática das estatísticas: o pobre está suando mais para colocar comida na mesa. O pão de cada dia cobra cada vez mais dos braços cansados.
O Indicador de Inflação por Faixa de Renda, apurado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que a inflação das famílias de renda baixa e muito baixa registrou alta de 0,91%. O estudo divulgado ontem mostra que o grupo de alimentação foi o que mais contribuiu para a alta inflacionária das famílias dos três segmentos de renda mais baixa.
Os mais pobres estão passando a pão e água. Para as famílias com menor renda, mesmo diante de uma deflação em itens importantes como arroz (-2,1%), feijão (-1,7%) e óleo de soja (-0,4%), o aumento de preços das proteínas animais, especialmente do frango (4,5%), dos ovos (1,6%), da batata (20%), do açúcar (4,6%) e do café (7,6%), pesa demais.
A inflação pesa em todas as faixas de renda, naturalmente. Mas é preciso se ater para o peso que a alimentação tem no orçamento das famílias de menor renda. Considerado o salário mínimo em vigor, boa parte dos trabalhadores brasileiros trabalha para comer e alimentar os seus. Por isso as lutas populares por moradia, educação e saúde. Para milhões de brasileiros, um teto sobre a cabeça, por exemplo, apesar de constar entre os direitos fundamentais consagrados pela Constituição, não passa de sonho.