O herói do Rio Sergipe

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ninguém nunca viu 
Zé Peixe apertado 
em um terno. O seu natural era andar à vontade, feito menino, os pés descalços, amigo da simplicidade, o peito forte sempre nu. Foi assim, enforcado por uma gravata, no entanto, que uma tal Maria Vitorino resolveu retratar o herói do Rio Sergipe. A breve mostra de personagens penduradas na parede do Corredor Cultural Irmão, aliás, passa ao largo de qualquer pensamento. A bajulação escancarada é o único propósito ali evidente.
Uma mostra intitulada ‘Personalidades Sergipanas’, convenhamos, não inspira ousadia maior, além da adulação. Desprevenido, o visitante dá de cara com o retrato de Conceição Vieira, em grafite, encabeçando a fileira enfadonha de homenageados. Não é por acaso. A presidente da Funcap, ali, em destaque, anuncia um cortejo irrelevante de rostos e feições despidos de significado. Não há nexo, contexto, ou coisa que o valha. Apenas rostos impassíveis, uma vitrine.
Ainda jovem, na flor dos 23 anos, Maria Vitorino dá a cara a tapa muito precocemente. A moça não elaborou um discurso digno de atenção, não investiu na linguagem com a consciência esperada de uma artista. Talvez nunca venha a fazer. Em verdade, os trabalhos reunidos na sede da Funcap não passam de estudos.
O objeto eleito pela artista, convém observar, não é um problema em si mesmo. O personagem sem um pingo de sangue nas veias, na tela de Maria Vitorino, desafia o horizonte em célebre fotografia de Ed Kashi. Parece outro. Aqui, Zé Peixe se mostra inteiro, em pleno vôo, abrindo caminhos no imaginário acanhado da aldeia. A imagem tem nervos. E os traz à flor da pele, para qualquer um ver. 

Rian Santos

Ninguém nunca viu  Zé Peixe apertado  em um terno. O seu natural era andar à vontade, feito menino, os pés descalços, amigo da simplicidade, o peito forte sempre nu. Foi assim, enforcado por uma gravata, no entanto, que uma tal Maria Vitorino resolveu retratar o herói do Rio Sergipe. A breve mostra de personagens penduradas na parede do Corredor Cultural Irmão, aliás, passa ao largo de qualquer pensamento. A bajulação escancarada é o único propósito ali evidente.
Uma mostra intitulada ‘Personalidades Sergipanas’, convenhamos, não inspira ousadia maior, além da adulação. Desprevenido, o visitante dá de cara com o retrato de Conceição Vieira, em grafite, encabeçando a fileira enfadonha de homenageados. Não é por acaso. A presidente da Funcap, ali, em destaque, anuncia um cortejo irrelevante de rostos e feições despidos de significado. Não há nexo, contexto, ou coisa que o valha. Apenas rostos impassíveis, uma vitrine.
Ainda jovem, na flor dos 23 anos, Maria Vitorino dá a cara a tapa muito precocemente. A moça não elaborou um discurso digno de atenção, não investiu na linguagem com a consciência esperada de uma artista. Talvez nunca venha a fazer. Em verdade, os trabalhos reunidos na sede da Funcap não passam de estudos.
O objeto eleito pela artista, convém observar, não é um problema em si mesmo. O personagem sem um pingo de sangue nas veias, na tela de Maria Vitorino, desafia o horizonte em célebre fotografia de Ed Kashi. Parece outro. Aqui, Zé Peixe se mostra inteiro, em pleno vôo, abrindo caminhos no imaginário acanhado da aldeia. A imagem tem nervos. E os traz à flor da pele, para qualquer um ver. 

 

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