E se você, hoje, precisasse de transfusão de sangue, mas no estoque só houvesse coleta das vezes que você foi doar? A pergunta remete a uma reflexão e a uma realidade: a importância da conscientização quanto à necessidade da doação de sangue, tendo em vista que o cenário, geralmente, é de estoque em baixa nos Centros de Hemoterapia.
Tendo consciência deste cenário que se repete no país inteiro, a administradora Elis Vanessa Ferreira Monteiro, 35 anos, mãe e colaboradora do Grupo Tiradentes, fez sua primeira doação em 2018 e após sua terceira visita ao Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), descobriu que seu sangue poderia ajudar a pessoas com tipos específicos de anemia. "Fui sozinha doar a primeira vez. Tinha interesse em conhecer o processo e ajudar também. Meu sangue é O+ e acabei descobrindo, após a fenotipagem (exame mais aprofundado do Rh e de outros subgrupos sanguíneos), que eu poderia ajudar pessoas com anemias. O sentimento foi de honra", conta Elis.
Além de salvar vidas, o ato de generosidade possibilita, ainda, para o doador, que seja feito um check-up completo de saúde de maneira gratuita. Na ocasião o doador em potencial é testado em relação a doenças como hepatite B, hepatite C, sífilis e HIV. E estudos mostram que, devido à baixa na reserva de ferro que ocorre no organismo com a doação, há uma redução dos riscos do doador desenvolver cânceres de fígado, pulmão e de garganta. "Decidi que toda vez que eu for doar sangue, levarei junto comigo alguém que ainda não tenha doado", revela Elis.
A ação de doar e de conscientizar provocou uma iniciativa da Faculdade São Luís de França (FSLF). Com o objetivo de mobilizar a comunidade acadêmica (discentes, docentes), colaboradores e a comunidade externa para a doação de sangue voluntária e a realização do cadastro de medula óssea no Hemose, realizou em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), a 5ª edição da Campanha "Acadêmico Sangue Bom". "A doação de sangue é muito importante, pois o Hemose sempre precisou desses abastecimentos dos doadores, por conta da baixa que sempre existiu, só que agora está precisando ainda mais de ajuda para os pacientes acometidos pela covid-19", alerta a professora e advogada Flávia Góes, que lidera o projeto.

