Por Rian Santos
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Yoko Ono nunca foi uma mulher inteira. Para a maioria dos aficionados por cultura pop, ela era só a mulher de John Lennon – o pivô da separação dos Beatles.
A fofoca disseminada pelos tablóides da época atravessa cada frame da série ‘Get Back’ (Disney+). Segundo o material reunido pelo diretor Peter Jackson, no entanto, há explicação mais razoável para o fim. Tudo nasce, cresce, morre. Só os frutos eventualmente gerados entre dois momentos guardam verdadeiro significado, realmente.
Os Beatles não acabaram quando Yoko Ono sentou em um amplificador, como brinca Paul McCartney, numa passagem reveladora do documentário. Em verdade, a separação estava anunciada desde o primeiro encontro. A presença constante de um personagem estranho à rotina da banda, como uma sombra, certamente gerou desconforto, para dizer o mínimo. Mas só as melhores canções duram pra sempre.
Artista visual, ativista, mãe, Yoko nunca foi vista como uma mulher de carne e osso. Mas como um apêndice do talento criativo alheio. A injustiça é irreparável. A reparação chega tarde demais, uma ferida aberta no tempo.
Get Back – De caráter documental, a série narra o processo de gravação do álbum ‘Let It Be’, o último registro oficial dos Beatles.
A produção foi realizada a partir de imagens inéditas captadas pelo cineasta Michael Lindsay-Hogg em janeiro de 1969. Ao contrário do projeto original, contudo, Jackson decidiu focar na camaradagem, carinho e respeito que os integrantes do quarteto de Liverpool tinham um pelo outro – apesar dos rumores do mau relacionamento que existia naquele momento.
John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr podem ser vistos trabalhando no estúdio e brincando uns com os outros. Por fim, a série apresenta, pela primeira vez na íntegra, a última apresentação ao vivo dos Beatles como um grupo: o inesquecível show no telhado de um prédio de Savile Row, em Londres.


