Defensoria Pública apura operação da PM na Ocupação Valdice Teles

Defensoria Pública apura operação da PM na Ocupação Valdice Teles.

A Defensoria Pública do Estado de Sergipe confirmou ontem que está apurando a incursão promovida no último dia 15, pela Polícia Militar na Ocupação Valdice Teles, no Bairro Santa Maria (zona Sul de Aracaju), a qual culminou na morte de Will Goiana da Silva, 21 anos, que era integrante da ocupação de famílias sem-teto. O trabalho está a cargo dos Núcleos de Defesa dos Direitos Humanos, Articulação com os Movimentos de Bairros e da Comissão de Trabalho de Enfrentamento à Desigualdade Social e do Racismo Estrutural.
Os defensores públicos Sérgio Barreto Morais, Alfredo Carlos Nikolaus e Carla Caroline, além de representantes do MST, OAB e deputados estaduais estiveram no local e conversaram com os ocupantes. A ocupação abriga cerca de 350 famílias em situação de extrema vulnerabilidade social.
Segundo relatos de algumas pessoas que presenciaram a operação da Polícia Militar, os policiais chegaram ao local realizando disparos de arma de fogo, sem qualquer ordem, advertência ou apresentação de mandado judicial. “Nessa operação, um jovem morreu alvejado por mais de dez disparos, bem como há relatos de agressão física generalizada, tortura e ameaças perpetradas pelos agentes públicos. A Defensoria Pública de Sergipe e as demais Defensorias Públicas de outros estados estão engajadas na apuração dos fatos e todas as providências estão sendo adotadas”, disse a defensora pública, Carla Caroline.
Os defensores firmaram o compromisso de atuar intensamente no caso, buscando providências junto às autoridades judiciais e policiais. “Estamos acompanhando as investigações dos fatos, adotando, inclusive, quando necessário, providências à responsabilização civil e criminal dos envolvidos com as determinações do trágico episódio”, concluiu a defensora pública.
Na ocasião, a PM informou que equipes do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha estavam no local para averiguar denúncias de que três homens armados estavam na ocupação com outro cinco suspeitos, articulando a realização de assaltos nas redondezas. Alegou ainda que um dos ocupantes acionou um alarme para avisar da chegada da polícia e que houve resistência durante a operação. Além da morte de Will, outros quatro homens foram presos por impedirem o trabalho da polícia e posteriormente liberados.

Compartilhe esta notícia