Rian Santos
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A amiga Graziele Ferreira, ex-diretora do Núcleo de Produção Digital, está prestes a lançar um documentário em alusão a uma verdadeira entidade, o prático Zé Peixe.
Sobre o filme, que adota a relação entre o herói do Rio Sergipe e o artista visual Elias Santos como ponto de partida, haverá nova oportunidade de falar, após o lançamento. Qualquer menção à figura mítica de Zé Peixe, entretanto, obriga um sergipano a orgulhoso de suas raízes a fazer reverências.
Os joelhos deste jornalista que vos escreve sem nenhuma cerimônia, caro leitor, foram ralados no texto abaixo.
O herói do Rio Sergipe – Caso raro de homem à altura do personagem, o prático cantado em verso e prosa é fonte generosa de inspiração. Músicos, poetas, fotógrafos e artistas visuais já mataram a sede com um gole dessa fonte. Só o poder político, invejoso do amor devotado a alguém tão simples, foi capaz de ignorar a beleza lírica de seu exemplo.
O ex governador João Alves Filho teve oportunidade de batizar a ponte Aracaju/Barra com o nome de Zé Peixe, mas fez ouvidos moucos para o clamor popular e deixou a própria mesquinharia documentada na placa de inauguração da tal obra. Azar o dele. Nem assim, com a força do trator e da grana, o todo poderoso conseguiu roubar o lugar de Zé Peixe no coração dos sergipanos.
O leitor me perdoe a falta de tato com os vultos da política, bajulados em vida, santificados na morte. Aqui, no entanto, louva-se apenas a quem bem merece.
O homem por trás do mito – Nascido em Aracaju, José Martins Ribeiro Nunes, mais conhecido como Zé Peixe, atuou por muitos anos, conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe.
O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato dele não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo. Quando um navio necessitava entrar na barra do Rio Sergipe, Zé Peixe nadava até o local, sozinho, com a força dos próprios braços, íntimo daquelas águas.
Assim, de braçada em braçada, servindo de guia, abrindo caminhos nas águas revoltas do rio, Zé Peixe nadou até os 85 anos, merecedor de todos os prêmios e homenagens prestadas ainda em vida, até falecer em 2012, num dia 26 de abril.


