Rian Santos
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A campanha pela sucessão estadual já começou. Terça-feira, por volta das 20 horas, as ruas estreitas de um conjunto residencial no bairro Aeroporto foram invadidas por uma carreata do candidato Rogério Carvalho (PT) – passagem breve e incômoda. A falta de respeito com o descanso alheio berrava, microfone à mão, a plenos pulmões.
Relata-se, aqui, o nome e a sigla partidária do suplicante, por razão objetiva. Em verdade, entretanto, o volume desproporcional dos carros de som, alarido forçado, exalta políticos de todos os matizes políticos e estirpes, sem distinção. Ontem foi Rogério. Amanhã, Alessandro Vieira e o tal Mitidieri devem dar o ar da graça, sem falta. Será assim até outubro. Depois, nunca mais.
A estratégia dessa gente desafia o entendimento. Há algo de autoritário em convocar a militância para fazer barulho, sob pena de acabar com o sossego dos trabalhadores surpreendidos por algazarra indesejada no recesso do próprio lar.
O sujeito apertou parafusos o dia inteiro, martelou pregos, deu aula para turmas com mais de 50 estudantes a custo de perder a voz. Tinha direito a descalçar os sapatos e cochilar em frente à TV, entorpecido com os escândalos do noticiário. Mas os protestos de competência e honestidade proferidos por Rogério lhe tomaram preciosos minutos de paz.
As carreatas não passam de uma demonstração de força, tão estúpidas quanto qualquer demonstração de força costuma ser. Ninguém liga, ninguém se emociona com uma dezena de carros enfileirados, soltando fumaça pelos escapamentos, auto falantes e buzinas a mil. Não há beleza nos berros e apelos surrados de um candidato praguejando a esmo. No rastro de uma carreata, invariavelmente, jaz o pensamento, o diálogo, a esperança, a civilidade atropelada no chão.


