Fé no rock

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Ainda há quem bote fé no rock. ‘Clube fechado’, single que a banda Mamutes jogou na rede, sem muito alarde, afiança a devoção inspirada pelas guitarras nos nichos onde riffs espertos e amplificadores saturados de distorção ainda berram. Os anos passam, roqueiros de meia idade ganham barriga e perdem os cabelos ralos. Mas enquanto houver um fudido sem rumo no frio das madrugadas, haverá também razão para lançar garrafas para o alto, entoar o bom e velho rock’n roll.
Karl de Lyon está nessa. Vocalista da Mamutes, o sujeito já provou que é duro na queda, passou por todas as formações da banda, encarou relativo ostracismo sem perder a postura altiva e a disposição para o deboche. Ele abre a boca e um “foda-se” bem grande ecoa aos quatro ventos. O recado é sempre o mesmo, pouco importa o enunciado.
É com tal disposição que ‘Clube fechado’ chega às plataformas de streaming. Com letra de Daniel Torres (Plástico Lunar), o single adverte eventuais desavisados a respeito da nova formação da banda, além de reafirmar a filiação de seus músicos. Os membros da Mamutes, ontem e hoje, vestem a camisa detonada do rock e se recusam a fazer arrodeios. Resolvem tudo com poucos acordes, na patada.
Anos atrás, enquanto se empenhavam no projeto de um segundo disco, sucessor do agressivo ‘Eletrokarma’, a Mamutes anunciou um nome provisório para o registro: ‘Quero ver quem é mais rock, agora’. O álbum não vingou. O guitarrista Rick Maia, membro fundador da banda, mudou de mala e cuia para Portugal. A verdade, no entanto, é que aquele título faz todo o sentido do mundo.
A música da Mamutes remete mesmo uma postura roqueira agressiva, a mais radical. À época do projeto falido, Karl conversou com o Jornal do Dia, dando aval à impressão corrente: “Somos uma banda de rock pesado, não podemos negar”.
Segundo um velho ditado, pedras que rolam não criam limo. Pois então, a banda Mamutes está aí, firme e forte, para provar.

Compartilhe esta notícia