Rian Santos
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Engajada na campanha do presidente Jair Bolsonaro, a Igreja Universal do Reino de Deus orienta fiéis a fazer um jejum de “notícias seculares”, ao longo de 21 dias. O ‘Jejum de Daniel’ coincide com a reta final da campanha eleitoral em curso. Segundo a denominação comandada por Edir Macedo, quem fechar os olhos para os escândalos em volta poderá receber a visita do “Espírito Santo” ao fim do sacrifício.
Sei… A vigilância da imprensa livre é pedra no sapato de um e de outro, o presidente e o pastor. A pregação dos dois é a mesma, passa ao largo das questões do espírito, fincada em razões nada beatas. Bolsonaro e Macedo são dois irmãos, falam a mesma língua. Autoritarismo e usura explicam a afinidade recíproca.
A cisma de Edir Macedo com a livre circulação de informação remonta ao controverso nascimento de seu império pecuniário. Vira e mexe, em pleno altar, diante dos fiéis, o líder evangélico dispensa as parábolas da linguagem bíblica para criticar “o inferno da mídia”.
Edir Macedo ainda não engoliu a uma série de reportagens realizadas pelo Jornal Nacional, há mais de 20 anos. Na ocasião, o pastor Carlos Magno, dissidente da Universal, reuniu imagens e documentos para denunciar a corrupção dos propósitos acolhidos pela organização religiosa, ponta de lança do movimento neopetencostal no Brasil. Em vídeo exibido pela reportagem da Rede Globo, ao invés de se ocupar das aflições da vida eterna, Edir Macedo fala a um grupo de pastores sobre a maneira mais eficaz de passar a mão no dinheiro dos convertidos, às gargalhadas.
O período turbulento, quando os dirigentes da Igreja Universal foram constrangidos a se explicar na Justiça e correr dos jornalistas como o diabo foge da cruz, é abordado no filme ‘Nada a perder 2’, cinebiografia chapa branca de Edir Macedo, lançado há alguns anos. Dirigido por Alexandre Avancini, o longa metragem dá sequência a uma narrativa de superação francamente fantasiosa. Contra tudo e contra todos, o personagem enfrenta perseguições de todos os tipos, mas não vacila nunca. Ao fim, com a graça de Deus, triunfa, bem aventurado.
Ao contrário do que a peça de ficção dirigida por Avancini insinua, Edir Macedo não é santo. Homem de negócios, presidente da TV Record, ele cultiva preocupações estritamente materiais, a ponto de misturar religião, disputas partidárias e comércio. Depois de empenhar a fé de milhões numa campanha política, o bispo dos templos suntuosos tratou de cobrar a fatura. A serviço de podres poderes, ele pode até perder a compostura, como ocorre ao demonizar o sacerdócio da imprensa, mas tem os bolsos forrados de verba publicitária.
Edir Macedo, RR Soares, Silas Malafaia, fazem campanha aberta por Bolsonaro, pedem pelo presidente, mas as orações dessa gente não há de chegar aos céus. Está na bíblia: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um homem rico entrar no reino de Deus.


