Rian Santos
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Inácio, o meu filho, tem tudo para se tornar um esnobe de marca maior. Se o fruto não cai longe do galho, como dizem por aí, ele há de se opor ao cortejo irrefletido dos modismos com o nariz empinado, orgulhoso como um filhote de leão. Traço estratégias fantasiosas, talvez. A menos impalpável consiste em reunir as canções de minha própria infância, a fim de colocar o menino no rumo de um bom caminho.
Dois álbuns, em especial, já estão devidamente arquivados em diversos formatos de mídia. A Turma do Balão Mágico, registros do inicio dos anos 80, movimentou muito dinheiro. Cinco milhões de LP’s vendidos e um programa de televisão alçaram Simony, Jairzinho e Cia Ltda. ao estrelato. O melhor de tudo, no entanto, passa ao largo das cifras cultivadas por executivos tristes: A canções são boas, receberam arranjos cuidadosos e contam com a participação de artistas da grandeza de Roberto Carlos e até Raul Seixas, entre outros.
Sim, há vida inteligente no streaming. Penso nas canções de A turma do Balão Mágico, enquanto a mãe conta os dias para revisar todo o catálogo da Pixar com Inácio no colo. Quando o menino chegar à idade escolar, suscetível à influência do mundo exterior, já terá os olhos e ouvidos emprenhados por sons e cores de outro tempo.
O seguro morreu de velho. Tenho cá as minhas razões para temer a exposição de Inácio aos apelos da indústria cultural. A má fé dos moralistas de plantão faz pensar sobre os valores relacionados à infância. E também sobre os produtos de natureza cultural voltados para a faixa etária. Galinha Pintadinha nenhuma há de ciscar sob o nosso teto. Em meu turno, não.


