Essa tal “sergipanidade”

Amaral Cavalcante: Modernoso

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Próxima segunda-feira, 24 de outubro, todos os tambores da aldeia renderão homenagens a uma tal “sergipanidade”. Eu tenho cá algumas ressalvas como conceito – fabricado, talvez, com os melhores propósitos do mundo, porém a portas fechadas. Ainda assim, admito: convém mesmo fazer festa, entrar na dança, bater palmas.
Penso em Amaral Cavalcante, atento e generoso como poucos. À frente da Cumbuca, ele enxergou na sergipanidade uma vocação. Se tinha o dedo, a inteligência de um sergipano, merecia pauta, matéria de capa.
A Cumbuca jamais passou de uma ousadia, uma cria com a cara e o jeitão modernoso do poeta. De mão em mão, diz que me disse, pouca gente teve a oportunidade de folhear as suas páginas. Forma e conteúdo recomendavam a divulgação massiva da publicação. Mas os homens da Segrase, uma pena!, não tiveram peito para assumir o desafio e espalhar a novidade.
Deveriam. Folhear a Cumbuca, publicação bissexta, sem periodicidade muito bem definida, editada com muita manha e perseverança pelo saudoso jornalista, era como dar pasto aos rangidos de uma janela pesada e arejar o ambiente crítico no qual a ideia de uma pretensa sergipanidade ainda se esforça para vingar e se fazer conhecida dos seus próprios. Uma rajada oportuna, informação prenhe de agoras e saudades, traços ligeiros e as interferências dos dias, o lodo do mangue no umbigo de nossa gente.
Não bastasse o conceito por trás do impulso, a primeira publicação de relevo com uma linha editorial enraizada nos valores locais, a Cumbuca tinha um apuro gráfico que saltava à vista, sem precedentes por essas praias. Nenhuma outra publicação local foi tão longe sem arredar o pé do próprio quintal. Era feita para se comer com os olhos.
O preço de capa não ajudava. A distribuição insuficiente era outra mancada imperdoável. No que diz respeito aos méritos editoriais da empreitada, contudo, a Cumbuca deu corpo a um feito inédito, acima de qualquer ressalva.
Segunda, o poder público há de lembrar a tal sergipanidade, como faz todos os anos, uma solenidade burocrática. Eu, de minha parte,folheio o acervo da Cumbuca e penso que para o lugar Serigy vingar de verdade e imperativo oferecer mais do que belas paisagens.

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