As Américas são um bom celeiro de históricas lideranças, produzidas nos áureos períodos das lutas pela autonomia política dos respectivos jugos colonialistas, dos séculos XVIII e XIX. A metrópole espanhola, dada sua extensa área de dominação, foi a mais confrontada, seguida da portuguesa e da britânica. Cada qual com suas peculiaridades de subordinação econômica e militar, alicerçada em medidas que só beneficiava elas próprias.
O mapa da subjugação viria de ser drasticamente alterado, cabendo aos bravos irmãos norte-americanos o bom exemplo de ideal separatista, mercê dos seus interesses feridos. Tais colonos, uma vez percebendo que estavam sendo usado como margem de manobra, pela Coroa inglesa, nos enfrentamentos contra os franceses, que ali ocupavam larga faixa de terras, insurgiram-se em conflitos, os quais culminaram com Declaração de Independência, em Filadélfia. Fruto de lideranças de George Washington, Jefferson, Franklin e outros. O caldeirão revolucionário começou a ferver em várias partes latinas da América, porém em comum diferiam de causas. Simón Bolívar nos aponta como estrela maior, buscando a separação conjunta das hoje nações da Venezuela (aí com o companheiro Francisco Miranda), Colômbia, Bolívia e Equador. O’Higgins, sacode o Chile, Saravedre, a Argentina e José Martí, Cuba.
No Brasil, os princípios autonomistas surgem sob a crista do mártir Manoel Backman, embora restritos ao Maranhão, mas a senha principal foi dada por Tiradentes, cuja Conjuração não se estendeu por razões territoriais. Todavia, foi ela, depois, muito bem representada através de sucessivos levantes e motins. Despontam, então, diversos líderes, mas de atuações regionais, num norte-nordeste inteirinho, as quais atormentavam o regime autoritário de Lisboa, na época: Patroni, Peregrino de Carvalho, Domingo José Martins, como paradigmas. No sudeste, situavam-se os de gabinete: José Bonifácio, Januário da Cunha Barbosa, e ele mesmo, Pedro I.
Às formalidades independencistas, segue-se a fase opressiva imperialista, motivadora de crises sociais internas, gestando lideranças nacionalistas, do tipo do gen. Alvorado, do Peru, e Brizola, do Brasil. Agora, novo modelo de revolução surge, o da fome, no combate à desagregação das sociedades americanas, e pela integridade amazônica. Se antes as linhas de atividade revolucionária esbarravam nos limites territoriais, ao menos teremos, pelo tempo constitucional de que dispõe, um comandante promete fidelidade patriótica. Conhecido seu nome, em pleito democrático, sabendo que seus maiores adversários são os fortes agentes do neo-colonialismo, inclusive acastelados em nosso país.
* Inocêncio Nóbrega, jornalista

