Opinião
* Inocêncio Nóbrega –
A história do Brasil é gorda nos “ismos” como nos “istas”. Ambos, são sufixos gregos, o primeiro formador de nomes designativos de conceitos gerais. Eis alguns exemplos na língua portuguesa: alcoolismo, modernismo. Ista, por seu turno, exprime a noção de seguidor ou adepto de algo: liberalista, socialista, ou de especialidade profissional: ginecologista, jornalista. Na política, ao contrário, é magra e de vida curta. Viva, apenas, quando perdurar a evidência, inclusive social, do seu anfitrião.
Empregam-se, por vezes indistintamente, dado a similitude de seu significado, ou se faz questão de separá-los, a fim de não causarem constrangimentos. Nos idos de 1961 foi nítido o antagonismo de sua equivalência nominal, perante a massa popular do país. Lacerdista (de Carlos Lacerda) versus Brizolismo, ou Janguismo, de Leonel Brizola e João Goulart, respectivamente. Pouco depois, nos porões partidários surgiu, e com muita força, o “malufismo”, de Paulo Maluf, vocábulo preferido pela mídia para se referir à prática da corrução.
Brizolismo, embora de maneira pouco extensiva, predomina nos discursos parlamentares, nos embates eleitorais e nos encontros de caráter ideológico. Ser brizolista, com seu socialismo moreno, bordão por ele criado em 1982, para definir-se ideologicamente, continua aquecendo o valor cívico de cada um, pela conduta que teve o então governador do Rio Grande do Sul, de enfrentamento aos militares golpistas, durante o episódio da renúncia de Janio Quadros.
Bolsonarismo, aos poucos vai caindo de uso, cedendo lugar ao renascimento do “lulismo”, pelos favores das urnas atribuídos a Luis Inácio Lula da Silva. Mas este deverá ser esquecido ao deixar o governo, a não ser que participe de um fato extraordinário que marque sua gestão. Nenhum dos últimos Chefes de Estado sustentará, por longo tempo, o seu correspondente “ismo”. Quase meio século de façanhas, da Campanha da Legalidade aos seus Cieps, protagonizaram Leonel Brizola como um líder padrão nacional, ainda a impulsionar episódios das alas públicas, quando se tem de fazer o melhor para a Nação. Supera o próprio juscelinismo, com suas prédicas desenvolvimentistas, porque no fundo JK tinha predileções capitalistas. Nos tempos de presidentes-generais, tal expressão foi letra morta.
O jacobismo, divisor de direita e esquerda, citado nas falas de políticos e da imprensa, na efervescência independencista, mesmo lembrado academicamente, concorre com sua sobrevivência secular, por movimentar idéias além de seu tempo, quando assunto é de um país voltado para seus próprios interesses. Insepulto, trazê-lo de volta, em toda sua plenitude, é que ora almejamos.
* Inocêncio Nóbrega, jornalista

