Rian Santos
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O leitor não se engane: a derrota eleitoral do presidente Jair Bolsonaro não foi suficiente para intimidar os perversos cobertos de verde e amarelo. No parlamento sergipano, por exemplo, o estandarte reaça é disputada no tapa, por assim dizer,todos os dias, com a valentia retórica dos toscos e ignorantes.
Pior do que os brutamontes resguardados pela imunidade de um mandato parlamentar, no entanto, são os palhaços que adotam o figurino como quem equilibrasse uma melancia sobre a própria cabeça, a fim de aparecer. Eis o caso de certo advogado criminalista. Ansioso para surfar a marola rasa de uma polêmica vazia, o sujeito fez circular uma nota sem qualquer senso de ridículo.
Explica-se: um comunicador acostumado a cometer covardias impunemente na televisão sergipana inventou um escândalo para deitar a língua sobre a realização do Festival de Artes de São Cristóvão. O advogado criminalista pressentiu a repercussão moralista da fofoca e ofereceu a sua opinião profissional – uma opinião solicitada por seu ninguém.
Segundo a Fake News, um artista teria exposto a genitália num palco erguido pelo FASC. Ocorre que a mentira tem perna curta, como bem sabe a língua grande do povo,mas corre ligeiro como o diabo! A lorota viralizou, servindo de pretexto para a patrulha dos bons costumes resvalar em todo tipo de preconceito, moralismo barato.
Com tempo de sobra, o advogado criminalista esteve na delegacia do município a fim de cobrar a instauração de um inquérito. Quer um artista do qual seguramente jamais ouviu falar atrás das grades. Ele age, o sujeito jura de pés juntos, orientado por valores os mais elevados. Dá para imaginá-lo coberto com as cores da bandeira nacional, bradando por um golpe à porta dos quartéis.
Ao rés do chão, o Festival de Artes de São Cristóvão divulgou nota desmentindo a nudez sem castigo, dando o assunto por encerrado. Mas fica o alerta: Convém não baixar a guarda: os perversos estão a solta, babando de raiva, prontos pra fazer barulho.


