O verão arde em Aracaju

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Vem chegando o verão…
O lembrete entoado na voz pouca de Marina Lima, uma artista subestimada – apesar do álbum ‘Fullgás’ (1984), maravilhoso, desde o batismo – não passa de uma redundância melódica. Em Aracaju, onde o céu azul assume o tom inclemente do calor sem trégua o ano inteiro, alheio às estações, a fartura de luz passa batida, em brancas nuvens, um dado corriqueiro, não merece atenção.
Os presentes mais preciosos da vida são tratados aqui como reles bijuteria. Leio artigo do médico Samarone, arguto observador da realidade local, fico pasmo com a constatação expressa em linhas tão breves. Perambulando no Centro de Aracaju, ele afirma, já não se ouve o zum zumzumdo comércio sem rédeas. A única conclusão possível, ele admite: os sergipanos nâo têm dinheiro para as compras de fim de ano.
Longe de mim, duvidar do que foi constatado por Samarone em primeira mão, com os próprios olhos. Mas eu também estive no calçadão, outro dia. E tive de abrir caminho por entre o populacho, a cotoveladas.Há muito não se vê o Centro da cidade, aliás, tão bem frequentado.O Natal Iluminado promovido pela Prefeitura de Aracaju, fruto de uma parceria com o Fecomércio, realizou o feito de convencer a classe média a botar os pés no coração do lugar – um feito e tanto!
É verdade, o mar não está pra peixe. Longe do shopping center, o povão transpira baldes nos pontos de ônibus. O verão já arde. Mas os desempregados na rua da amargura não serão vingados com exegeses de folhetim.

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