Rian Santos
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Enquanto a arraia miúda do funcionalismo estadual se pega com todos os santos, a fim de pleitear a preservação de cargos e pagamentos em comissão, nomes de possíveis nomeados para secretarias, autarquias, fundações são grafados em letra de imprensa. De projeto que é bom, entretanto, pouco se fala.
Eu gostaria de saber, por exemplo, o que será feito do Centro de Criatividade incrustrado nas alturas do Bairro Cirurgia. Apesar do potencial inegável, o espaço sempre foi muito mal aproveitado, mesmo após a reforma mais recente, praticamente relegado às moscas.
Os fatos falam por si mesmos. Sob o pretexto de movimentar os espaços culturais sob a sua alçada, a Funcap a verdadeira vocação da comunidade em torno do Centro e se limitou a oferecer meia dúzia de cursos e oficinas, todos na linha percussão para a terceira idade.
Há muito se cobra a ocupação criativa dos referidos espaços. Reclamação a respeito do aproveitamento do Centro de Criatividade remonta aos primeiros anos da gestão Irineu Fontes, então à frente da finada Secult. Mas a gritaria não teve efeito, como atestou a transpiração de senhoras gordas matriculadas em um curso de dança do ventre. O aparelho cultural sob a tutela do estado ainda está em vias de recuperar o status que lhe cabe.
No fim das contas, o trabalho de gerir a sensibilidade nativa é até bem simples. Bastaria a um eventual gestor adotar a missão de aproximar artistas e povo, em acerto de contas tardio. Medidas banais, como a elaboração de uma agenda cultural em proveito da ocupação artística do Gonzagão por certo não exigiriam o aporte de grandes somas, como é o caso dos chamados “grandes eventos”, sempre financiados com rios de dinheiro público. No entanto, em âmbito estadual, não há quem o faça.
Precisamos falar sobre a Funcap. Do modo acanhado como funcionou até hoje, a Fundação poderia ter o mesmo destino da Secult, morta e enterrada. Ninguém daria por falta.


