Milton Alves Júnior
Peritos da Defesa Civil Estadual realizaram durante toda a manhã e tarde de ontem, um trabalho minucioso de análise do solo, nível da água do Rio São Francisco, além do risco de alagamento em toda a faixa pertencente à região ribeirinha nos municípios de Poço Verde e Canindé do São Francisco. A ação preventiva teve como princípio básico evitar que inundações semelhantes as registradas no último final de semana nos municípios de Telha e Santana de São Francisco, também provoquem destruição nas cidades vistoriadas.
Oo volume de água das comportas da usina Hidrelétrica de Xingó está gradativamente aumentando a cada vinte e quatro horas, chegando a 4 mil m³ por segundo. Paralelo às cidades acima citadas, também estão sendo vistoriados os municípios de Amparo do São Francisco, Brejo Grande, Canhoba, Gararu, Ilha das Flores, Neópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Porto da Folha e Propriá. Segundo destacado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), o governo de Sergipe está preocupado com o cenário, e, por este motivo, deliberou que equipes plantonistas sigam monitorando toda a área de risco. Este serviço preventivo conta com a participação direta da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).
De acordo com o superintendente Tenente-Coronel Luciano Queiróz, a situação segue dentro do previsto e deverá ser normalizada em março. De igual modo à Sedurbi, a própria direção regional da Chesf já havia indicado possibilidade real de enchentes nesta segunda quinzena de janeiro; essa análise técnica foi desenvolvida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em articulação com peritos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O mesmo impacto vivenciado por famílias ribeirinhas em Sergipe, também tem sido enfrentado por moradores de cidades localizadas na região Sul de Alagoas. A análise in loco resultará em um dossiê constatando danos humanos, materiais e possíveis prejuízos econômicos públicos, o qual será encaminhado aos governos municipal, estadual e federal.
No mesmo período do ano passado as regiões ribeirinhas nos estados de Sergipe e Alagoas também enfrentaram situação semelhante. Em Propriá, as enchentes destruíram residências, espaços de lazer e estacionamentos comerciais; já na cidade de Telha, o nível na popular Prainha da Adutora subiu 70 centímetros. Assim como esta semana, em 2022 a elevação do nível contribuiu para que ruas e avenidas ficassem intransitáveis.
A perspectiva é que as inundações permaneçam provocando contratempos; apesar dos danos já identificados, a direção regional da Chesf não soube informar quando o nível deve reduzir na nascente do rio, oferecendo, assim, possibilidade de fechamento das comportas. Em caso de acidentes, ou risco contra a integridade física da população, o governo de Sergipe pede que os contribuintes acionem o Corpo de Bombeiros Militar e comuniquem o fato através do número 193. Profissionais do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP 190) também permanecem à disposição para encaminhar as demandas emergenciais para os órgãos de assistência e prevenção de acidentes, a exemplo da Defesa Civil Estadual.


