Bernabeu, o barbeiro

Barba, cabelo e bigode

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O jornalista Antonio Passos foi ao barbeiro. O prêmio exposto na parede de uma budega metida a besta inspirou-lhe a confiança necessária para entregar a face reticente a um profissional desconhecido. O ingênuo se entregou de corpo e alma. Para azar dele, o tal prêmio era só um pedaço de papel.
Esta não é uma peça de ficção. Embora o relato de Passos tenha assanhado a alegria dos invejosos – homens calvos e imberbes, como eu -, trata-se aqui de tema muito sério. Os prêmios distribuídos a torto e direito pelo produtor cultural Jorge Lins subestima e rebaixa a inteligência pouca da terrinha.
O relato de Passos, aqui publicado de cabo a rabo, entre aspas, é hilário:
“A palavra barbeiro em nosso português brasileiro tem ao menos dois sentidos: 1) profissional que oferece o serviço de fazer (raspar, aparar etc.) barbas e 2) conduzir mal e perigosamente um automóvel. Bernabeu exibe uma propaganda de sua boa reputação como barbeiro, no primeiro sentido. Em seu pequeno salão de beleza consta pendurado um certificado atribuindo a ele o prêmio de destaque profissional em ano recente, no ramo da barbearia”.
“Não são de hoje os “fake prêmios” de destaque profissional do ano. O critério não é exatamente meritório. Basta que o convidado concorde em contribuir financeiramente com a festa de entrega das honrarias e o seu nome constará entre os premiados. Fato é que, mesmo sabendo disso, eu dei crédito ao diploma concedido a Bernabeu. Como resultado restou a minha barba mais rebaixada de um lado do que do outro e dois “caminhos de rato” no pouco que ainda me resta de pasto para piolho”.
“Que saudade das antigas e tradicionais barbearias do centro da cidade, com seus profissionais discretos e metódicos, onde um simples pé de cabelo parecia ter sido feito com régua e compasso. Naqueles antigos salões corporativos a entrada de um novo profissional dependia de um rito de passagem acompanhado por rigorosa observação dos medalhões. Lá não era preciso certificado na parede para saber fazer barba e cabelo!”.
Antonio Passos tem saudade de entrar num salão sem temer ratadas de tesoura e navalha.Menos vaidoso, eu fico satisfeito de distinguir aqui os conceitos de competência e notoriedade.

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