SOBREVIVENTES, RESISTENTES E VENCEDORES

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Na última terça-feira, 17 de janeiro, nas dependências da Didática 7, na Universidade Federal de Sergipe, tive a satisfação de participar de mais um cerimonial de formatura, cada vez mais enxuto e organizado, desta feita dos cursos de História, Letras Vernáculas e Psicologia, sob a presidência da Profª. Dra. Silva Bretas (Chefe do Centro de Ciências Humanas), representando o Reitor, o Prof. Dr. Valter Joviniano de Santana Filho.
Na ocasião, tive a oportunidade de ser paraninfo dos 18 formandos do Curso de Licenciatura em História e também falei em nome de todos os demais cursos. A seguir, segue o discurso na íntegra. E assim o faço, por entender a importância de refletirmos sobre o momento atual e os desdobramentos das últimas intempéries e desacertos dos últimos dois anos. Afora isso, deixo aqui registrada a emoção sempre renovada de ver pais, demais familiares, amigos, formando aqueles que amam e por quem torceram e torcem.
(…)
Ritual de passagem, fechamento de um ciclo, propósito alcançado. Cada uma dessas expressões traduz adequadamente o momento que vocês estão vivendo esta tarde. Estar aqui para celebrá-lo deve ser festejado de forma mais efusiva ainda. Sim! Pois vocês são sobreviventes. O que me faz lembrar e recorrer à sabedoria de Édson Gomes, num trecho da canção “O país é culpado” (1997), que diz: “Somos sobreviventes do tempo / Somos filhos da santa esperança / Somos passivos resistentes / Mergulhados em toda essa lama”.
Em 2020, fomos tomados de assalto pela trágica notícia de que o mundo sofreria os efeitos doentios de um vírus mortal. Até a presente data, muitos de nós, até mesmo de forma prematura, também fizeram sua passagem, fecharam um ciclo e, a julgar por sua fé, passaram a viver em outra dimensão. Um rastro de tristeza e de saudade ficou e só nos restaram as lágrimas e, na maioria das vezes, um vazio enorme nunca recuperado plenamente. A estes que se foram, meu mais profundo sentimento de respeito e aos seus familiares e amigos, meu pesar.
Quantos deles estariam hoje aqui, e talvez até estejam, celebrando conosco. Aplaudindo-os, afagando-os e lhes dizendo as coisas mais legais para se ouvir neste momento, tais como: “Parabéns!”; “Você venceu!”; “Deus te abençoe!”; “Siga em frente”. A lama da indiferença, da incompetência e toda uma série de ações e inações levaram o país a uma desordem sanitária e administrativa, afetando nossas vidas drasticamente. Fomos apartados do convívio social, dos abraços e dos estudos no seu formato presencial, o ideal para qualquer sociedade que nutre a construção de convivências pacíficas e tolerantes. Nada contra a tecnologia. Que ela seja sempre bem-vinda, mas nada fez tanta falta nos últimos anos quanto uma presença física de outro ser humano.
Vitoriosos colegas de História, Letras Vernáculas e Psicologia. Este momento é de vocês! Sobreviventes do tempo, resistiram a todo tipo de coisa e aqui estão para testemunhar e festejar. Mas, também agradecer às pessoas que estiveram com vocês nessa jornada, apoiando-os, não deixando desistir, chegando junto, aconselhando, corrigindo, quando necessário, apontando possibilidades e abrindo portas e janelas. Aos que se ocuparam de puxar tapetes, eis aí a glória de vocês.
A Universidade Federal de Sergipe agradece penhoradamente e se orgulha de vocês. E lembrem-se que para além de um ritual de passagem, um ciclo fechado e uma meta alcançada, há sempre novos desconhecidos para encarar, resistir, sobreviver e vencer. Pois tem sido assim, até hoje, o caminhar da humanidade.
Parabéns e que vocês realizem todos os seus sonhos e que sejam saudáveis, prósperos, altruísta e prósperos.

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