Tragédia em São Paulo mata uma sergipana

O local onde morava não existia sirenes capazes de orientar a população a deixar as zonas de risco.

Foi sepultado no final da manhã de ontem no povoado Santa Rita, em Nossa Senhora da Glória, região do Alto-sertão Sergipano, o corpo da psicóloga Fabiana de Freitas Sá, uma das vítimas da tempestade que atingiu e impactou o litoral Norte do estado de São Paulo, sobretudo o município paulista de São Sebastião. Natural do município de Porto da Folha, a vítima residia no interior paulista há pouco mais de 20 anos, atuava em um projeto social desenvolvido pela prefeitura de São Sebastião, e no momento dos deslizamentos de terra estava sozinha em casa. A identificação da sergipana constava na primeira lista de óbitos registrados pela Defesa Civil Municipal. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML), na tarde da última quarta-feira, 22.
Em conversa com o JORNAL DO DIA, a tia da vítima, Carmem Freitas, revelou que em nenhum momento ao longo das últimas duas décadas se deparou com informações diretas ou indiretas apresentadas pela sobrinha, indicando qualquer tipo de medo pela vulnerabilidade do solo. No sentido contrário ao cenário de destruição e dezenas de mortes, ela destacou que Fabiana costumava dizer que amava Sergipe e as suas raízes naturais, mas que jamais imaginava retornando para a cidade natal. A expectativa por parte da sergipana era permanecer trabalhando e residindo na zona Norte do estado de São Paulo pelos próximos 30 anos, quando possivelmente conquistaria o direito à aposentadoria. O local onde morava não existia sirenes capazes de orientar a população a deixar as zonas de risco.

Fabiana de Freitas Sá era psicóloga.

“Ela sempre se mostrou bastante feliz onde morava, apesar da saudade dos amigos e familiares. Uma pessoa do bem, vinda a esse mundo para acolher e atender ao próximo. A princípio, quando soubemos das chuvas por vocês do jornalismo, não ficamos tão preocupados, mas depois ela não se comunicou mais e começamos a ver que justamente a área onde ela morava tinha sido atingida pelo temporal. Perdemos o chão quando alguém da prefeitura ligou para a gente informando da morte”, declarou Carmem. Ainda de acordo com a tia da sergipana, devido as dificuldades impostas pela ação da natureza, amigos de Fabiana colaboraram com o reconhecimento do corpo, bem como com todo o processo de liberação junto ao IML, e ao translado até o aeroporto de Aracaju.

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