Milton Alves Júnior
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou na manhã de ontem que Aracaju registrou o primeiro caso oficial de febre maculosa. A confirmação surgiu após a SMS constatar que o paciente recebeu alta médica, apresenta um quadro clínico adequado e sem intercorrências, bem como segue desenvolvendo as respectivas atividades sem quaisquer contratempos. Segundo a prefeitura da capital sergipana, o primeiro caso desta febre atingiu um adolescente do sexo masculino, com 15 anos de idade, residente no bairro Porto Dantas – zona Norte -, que convive diariamente com cavalos, cães e galinhas e sem histórico de ter viajado nos últimos meses para cidades onde esta febre já havia sido registrada.
Por meio de comunicado, a direção da Secretaria de Saúde revelou que no dia 19 de junho o adolescente, acompanhado de familiares, procurou o Hospital Regional José Franco Sobrinho, localizado no município de Nossa Senhora do Socorro, com quadro de febre, náusea, cefaleia, dor abdominal, mialgia, prostração, astenia e tosse piosanguinolenta (sintomas leves). Por se tratar de características que se conectam com a maioria dos casos de febre maculosa identificada no Brasil, de imediato profissionais da unidade hospitalar realizaram uma coleta, cujo resultado foi apresentado no último dia 20 de julho foi positivo. Antes mesmo desta constatação, no dia 22 de junho foi identificado que o paciente apresentava resultado positivo para chikungunya.
Sobre os cuidados médicos adotados, a SMS informou que o adolescente precisou ficar internado por quarto dias, recebendo alta médica no dia 26 de junho; o paciente segue sendo monitorado por especialistas desde o momento em que a febre foi diagnosticada. Ainda de acordo com a Prefeitura de Aracaju, profissionais do Centro de Informações Estratégicas em Saúde seguem acompanhando este caso, em especial, no que se refere ao pendente resultado da segunda amostra da sorologia e dos carrapatos recolhidos no cavalo de propriedade da família. O impacto desta febre maculosa no Brasil ganhou destaque depois que três pessoas morreram no mês passado. O JORNAL DO DIA destaca que para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar por um tempo prolongado fixado na pele das pessoas.
Conforme apresentado pelo Ministério da Saúde, a febre maculosa é uma doença transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. O carrapato-estrela não é o carrapato comum, encontrado geralmente em cachorros, mas se trata da espécie Amblyomma cajennense, que pode ser encontrada em bois, cavalos, cães, aves domésticas, gambás, coelhos e especialmente na capivara. Os carrapatos mais jovens e de menor tamanho são os mais perigosos, porque são mais difíceis de ser vistos. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra. A SMS destacou que uma equipe do Centro de Controle de Zoonozes esteve no endereço do paciente para iniciar as investigações sobre o caso.
Familiares relataram que o jovem tem o hábito de circular no bairro montado a cavalo, e que leva o animal para se banhar em um riacho da localidade, conhecido como Riacho do Moreno. A residência é toda revestida, e não foi encontrado carrapato no ambiente interno e nem na parte externa da casa.

