OS DEMOCRATAS PRECISAM SE UNIR PARA DERROTAR O FASCISMO

* Rômulo Rodrigues

No momento surgem notícias confirmando que o exercito brasileiro continua se comportando como o grande inimigo da democracia no País.
A mídia publica de forma disfarçada e se o observador não tiver a esperteza de gato escaldado que tem medo de água fria, acaba misturando alho com bugalho e engolindo tudo de uma só talagada e quando o rebuliço no bucho começar, ele nem saberá o que comeu nem o que ofendeu.
A recente conclusão de inquérito incitando a tropa com um conteúdo que aponta que as responsabilidades dos atentados terroristas de 8 de janeiro, são do atual governo, é uma afronta ao Estado Democrático de Direito e precisa ser desmentida, descontextualizada e requer uma reação enérgica de toda a sociedade civil.
De certa forma a primeira reação já veio pela presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, deputada federal pelo PT do Paraná, Gleisi Hoffmann que rebateu firmemente o documento do exercito que investiga os responsáveis militares naquele dia, acusando órgão do gabinete de segurança institucional do governo Lula por não ter feito o planejamento “adequado” para proteger o Palácio do Planalto.
O documento dito sigiloso, mas revelado pela Folha de S. Paulo na segunda feira 31 de julho, não por acaso, omite propositalmente os nomes dos comandantes dos dois órgãos citados, que ainda estavam lá, e que tinham sido indicados pelo general golpista Augusto Heleno.
A Folha não revela em nenhum momento que a mulher do general golpista Eduardo Villas Boas, que comandou o exército, era ativista militante no acampamento em frente ao quartel central de Brasília e nem que a filha do casal trocou inúmeras mensagens de WhatsApp com a esposa do tenente coronel Mauro Cid, pregando o golpe estado.
Exigir que o novo governo tivesse desbaratado todo o esquema que já estava em andamento no outro governo, em apenas 8 dias, é uma pregação insidiosa contra as demais instituições da República e a um governo legitimado pelas urnas e não imposto pela força e vocacionado para práticas violentas.
Nas investigações em marcha conduzidas pela Polícia Federal, agora sob o comando republicano do ministério da justiça, o tal inquérito vazado intencionalmente para a Folha, desmente a farsa montada pelo comando do exercito.
Em 11 de janeiro de 2023, 3 dias após as depredações terroristas, a PF ouviu um funcionário que trabalhava na secretaria extraordinária de segurança presidencial, que foi desfeita após a função ser integrada ao GSI do general Heleno, ainda sob Bolsonaro, que disse que os militares tinham todo o aparato para dispersar os manifestantes e não o fizeram porque se confraternizavam com eles.
No momento, é necessário que a sociedade civil como um todo esteja em permanente alerta para rebater todas e quaisquer manifestações dos comandantes militares, diretamente, ou via seus interlocutores, como se fossem os tutores da democracia.
Em cada manifestação partidária, sindical, movimento dos sem terra e sem teto e de qualquer entidade que tenha olhos e ouvidos na sociedade, será preciso dizer sem medo que os militares são muito bem pagos para cuidarem de tarefas específicas atribuídas pela Constituição Federal e quem fala dos assuntos inerentes à política e economia é a sociedade civil e pronto.
Outro ponto a ser bem observado é o que está por trás do massacre do Guarujá como parte de uma estratégia política do fascismo para se agregar ao nome do governador Tarcísio de Freitas que além de ter incentivado o aumento de crimes de violência policial, decidiu tirar livros das escolas.
Nunca esquecer, para não se repetir, que Tarcísio foi do grupo comandado por Heleno no massacre de 63 pessoas, em missão no Haiti.
Tudo isso representa o desejo do povo da Faria Lima e a vontade expressa da elite do atraso de ter o domínio total do dinheiro circulante do País e voltar a um regime escravocrata.
É por causa disso que insistem na tese de que as pessoas não precisam votar em partidos políticos e sim em pessoas de suas relações ou por indicações de cabos eleitorais ou chefes políticos.
O contrario disso, como saída para o fortalecimento da democracia representativa é aprofundar o debate sobre a importância de colocar o cidadão e a cidadã no centro do tabuleiro do xadrez da política e convencê-los de que todo poder de decisão passa pelos seus engajamentos no contexto político.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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