Um dos nossos

Sanfona no sangue (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Para nós, sergipanos, a simples presença do sanfoneiro Mestrinho em um palco erguido pelo poder local tem o condão de redimir décadas de faltas e omissões com a sensibilidade nativa. Mestrinho é um dos nossos. O seu sucesso nos faz bem.
Quando Mestrinho sobe ao palco, na praça de eventos dos mercados municipais, evento junino, concilia com a sua simples presença todas as contradições argumentando contra os grandes eventos promovidos pelo poder público local. Intelectuais e povão finalmente concordam, rendidos pela sanfona, felizes da vida, como num passe de mágica.
Está no sangue. Nascido em Itabaiana, Mestrinho é herdeiro de longeva dinastia, neto do tocador de oito baixos Manezinho do Carira, filho do sanfoneiro Erivaldo de Carira. Com a música inscrita no próprio DNA, tão presente em sua vida, Mestrinho começou a tocar sanfona ainda menino, aos seis anos, quando mal podia com o instrumento.
Desde pequeno foi influenciado pela música de Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho do acordeon,Hermeto Pascoal, Pixinguinha, Jacob do Bandolim,Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elba Ramalho, entre outros. Mal sabia que logo seria aceito como um igual entre os gigantes.
Mestrinho acompanhou Dominguinhos em diversos shows pelo Brasil, inclusive participando da última apresentação em Exu (PE), cidade natal de Luiz Gonzaga; trabalhou com Elba Ramalho por três anos, com participação no CD ‘Vambora lá dançar’, quando se apresentou em turnês nacionais e internacionais (Alemanha).
Com Gilberto Gil fez turnês em festivais de jazz na Europa, Israel e Uruguai, e participou do lançamento do álbum ‘Gilbertos Samba’. E por aí vai.
Mestrinho tem ainda entre os próprios feitos o lançamento de álbuns autorais apreciados por seus pares e pela crítica especializada. Não se trata aqui, contudo, de mero fenômeno de massa. Mas da identidade profunda entre um artista e a Cultura de sua gente .
Compartilhe esta notícia