Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O Ministério Público de Sergipe (MP-SE) estabeleceu um prazo de 90 dias para que a Fundação de Cultura de Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) realize as adequações necessárias no Teatro Tobias Barreto, de acordo com as normas de segurança e de combate a incêndio e pânico.
No caso do Tobias Barreto, o MP tomou providências bem a tempo, antes que o pior aconteça. Mas poderia dar uma olhada também nas ruínas do Teatro Lourival Baptista. O prédio está em vias de ser completamente tomado pelo lixo, passou anos a fio servindo apenas como estacionamento.
Um teatro, os leitores me perdoem a exegese de pendor beletrista, é um espaço mágico. Nas lonjuras do Bugio, por exemplo, o grupo Boca de Cena transformou o galpão adotado como sede em uma usina de sonhos. Entra governo, sai governo, a Funcap faz justamente o contrário. Ao invés de abrigar os sustos e sopapos da gente sergipana, o Lourival foi reservado à ferrugem, à lata velha de automóveis abandonados.
Anos atrás, provocada pela reportagem de um jornal, a direção da Funcap admitiu o descaso do governo estadual com o aparelho cultural sob a sua guarda. Segundo a assessoria de comunicação da Fundação, um orçamento foi solicitado à Cehop, tendo em vista a reforma necessária. Mas não havia recursos.
Depois, o Memorial do teatro sergipano, antes abrigado pelo Lourival Baptista, foi transferido para o Teatro Atheneu, sob a curadoria de Grazzy Coutinho. Falava-se, então, de erguer de novo um teatro nas ruínas do prédio antigo. Até agora, nada.
Um dia, o Teatro Lourival Baptista há de abrir de novo as portas. A reforma virá, quando vier, amanhã ou depois, um dia. Ainda assim, chegará tarde, mesmo que venha a ser concluída. Lá se vão seis longos anos de descaso com o patrimônio dos sergipanos. Nada remediará os anos seguidos de silêncio tão ruidoso, a erosão acintosa da sensibilidade Serigy.


