Muro do aeroporto de Aracaju pode voltar a desabar

Em 2018, parte do muro de proteção do aeroporto chegou a desabar (Arquivo/Portal Infonet)

Menos de um ano após o Aeroporto Internacional Santa Maria ter concluído sua reforma – a mais representativa desde sua inauguração em 19 de janeiro de 1958 – parte do muro que cerca a pista já apresenta pontos de colapso parcial.

Quando o espaço foi privatizado, a empresa espanhola Aena responsável pelo gerenciamento operacional do Aeroporto prometeu  investimentos orçados em cerca de R$ 140 milhões nas obras. Sem segurança adequada, os buracos na estrutura pode permitir que pessoas e até mesmo animais tenham acesso à principal pista do aeroporto, colocando em risco as operações de pouso e decolagem, além de consequências desastrosas de novo desabamento ao longo de sua estrutura.

Este cenário se repete ao longo dos últimos dez anos. No primeiro trimestre de 2018 peritos da Secretaria de Defesa Social e da Cidadania (Semdec), por intermédio da Defesa Civil de Aracaju, foram acionados com a finalidade de vistoriar a inclinação de parte do muro que fica paralelo à Avenida Heráclito Rollemberg, na altura do bairro Farolândia. A periculosidade foi constatada, e a parte destinada a pedestres foi parcialmente interditada; na madrugada do dia 12 de abril um trecho superior a 20 metros desabou para a parte interna do aeroporto. Já no mês de junho de 2022 – desta vez sob a responsabilidade da Aena Brasil, o problema foi novamente reconhecido.

Em nota oficial, naquele momento a empresa declarou que: “a reestruturação completa do muro do Aeroporto Internacional de Aracaju – Santa Maria está prevista nas obras estruturais do equipamento, que já iniciaram e devem ser concluídas até junho de 2023. Recentemente, devido às fortes chuvas que atingiram a região, registramos que uma parte do muro cedeu. O trecho passou por reparos imediatamente e foi fechado antes do final daquele mesmo dia.” O JORNAL DO DIA voltou a questionar a empresa sobre possível medida paliativa nos buracos, bem como se há previsão de construção de um novo muro.

Até a tarde de ontem não obtivemos resposta. A reforma geral realizada pela Aena não chegou na melhoria da contenção que inviabiliza o acesso de pedestres. Os 140 milhões prometidos pela empresa concessionária do aeroporto não contemplou ainda a reconstrução do muro em torno do aeroporto. Os recursos até agora  foram destinados para projetos direcionados para facilitar a circulação de passageiros, instalação de dois novos fingers, escadas rolantes e elevadores, além da instalação de leitores eletrônicos de cartões de embarque, sistemas automatizados de bagagem, monitores do sistema informativo de voos e preparação para inspeção de volumes por raios-X. Também foram feitas sinalização, pintura, iluminação, adaptações de acessibilidade e renovação completa dos banheiros.

O JORNAL DO DIA permanece à disposição da Aena Brasil para apresentar possível declaração sobre o problema. Em caso de comunicado oficial, o texto será publicado na edição posterior à data deste envio. (MAJ)

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