Rian Santos
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Os grandes eventos do calendário festivo local, realizados há décadas, jamais se propuseram a servir de palco para a Cultura Serigy. Somente os tolos, como eu, alimentaram um dia expectativa diferente.
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Todos os anos, a choradeira de artistas desprezados pelo poder público e intelectuais com a cachola abarrotada de palavras inunda as páginas dos jornais. O amigo Thiago Paulino chegou a escrever um livro robusto sobre o assunto. Nos maiores palcos, porém, a programação sempre a mesma.
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Há concessões, claro. No palco dos principais eventos do ciclo junino, o sanfoneiro Mestrinho é presença garantida. Há, também, espaços menores, francamente modestos, como o coreto instalado em plena Vila do Forró. Ali, os operários da música Serigy defendem o próprio trabalho com a cara e a coragem, sem os holofotes voltados para as atrações contratadas ao custo de milhões.
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Os promotores dos eventos aqui em questão contam com o álibi do grande apelo popular da programação. Anos atrás, a presença de um cantor de arrocha, hoje relegado a justo e previsível esquecimento, atraiu o maior público registrado até então no Forró Caju. Depois, a turma do arrocha voltou à carga e reuniu uma multidão formada por 55 mil pessoas no Arraiá do Povo, em plena terça-feira. Em um caso e outro, o argumento maiúsculo da adesão popular encerra qualquer discussão.
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Ao contrário dos críticos apressados, como este que vos escreve, leitor compassivo, os donos do mundo garantem, o povo gosta.


