Prática de boxe passa a integrar currículo educacional da rede pública

Valter Duarte critica a exclusão de atletas da escola Punhos de Ouro (Divulgação)

Milton Alves Júnior

 

Pioneiro no Brasil, o estado de Sergipe passa a integrar a prática de boxe no currículo educacional de crianças e adolescentes matriculados na rede pública. Fruto de sucessivas reuniões realizadas desde 2018 entre representantes do Centro Cultural, Artístico e Esportivo Punhos de Ouro, e da Secretaria de Estado da Educação (SEED), a modalidade é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), com amparo legal presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Paralelo às aulas, Sergipe passa a disponibilizar os espaços escolares para a prática esportiva, bem como proporcionar cursos de extensão atrelados ao Boxe.
Historicamente, esta modalidade no Brasil dispõe de um impacto social importante, sendo visto como uma ferramenta de emancipação e integração por algumas populações, bem como acolhimento de imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, desde o início do século XX, com foco nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. Campeão norte-nordeste por três vezes, e tetracampeão brasileiro, o Professor Valter Duarte conversou com exclusividade na tarde desta terça-feira (15), com o JORNAL DO DIA e destacou o conjunto de avanços conquistados pelo boxe em Sergipe.
“Com essa novidade aplicada em Sergipe, observamos que outros estados começaram a se movimentar para que esta prática esportiva também seja inserida nas escolas pelo Brasil afora. Para mim, e tantos outros incentivadores do boxe que dedicamos a vida para este movimento de inclusão e resistência, esta atitude do Governo de Sergipe contribui bastante para que novos talentos sejam encontrados; além da mudança de vida para muito melhor, já que o esporte acolhe e salva”, destacou. O professor reconheceu ainda que, ao abrir as portas das escolas, a SEED contribui diretamente para que a modalidade se popularize em maior escala e combata o preconceito em contínua existência.
“Infelizmente ainda nos deparamos com atitudes de exclusão, posturas desumanas e falta de interesse empresarial na hora de investir em jovens que praticam o boxe. Essa realidade não é exclusiva em nosso estado, mas em todo o país. O preconceito existe, mesmo diante do reconhecimento mundial da força e garra dos nossos atletas em competições nacionais e internacionais. Esta inserção no currículo escolar contribui no combate ao preconceito”, avaliou Valter Duarte. Questionado sobre o futuro desta modalidade – sobretudo em Sergipe, o educador denunciou interferências apontadas por ele como antidesportista, protagonizado pela própria Federação Sergipana de Boxe (FSB).
Em decorrência de um processo em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE), a direção da FSB – sub judice por suposto descumprimento do próprio estatuto, teria inviabilizado a inscrição de atletas da escola Punhos de Ouro em competições locais e nacionais. “São centenas de atletas impedidos de participar das competições em virtude de mais uma decisão arbitrária imposta pela nova diretoria, que está enfrentando análise judicial. O desligamento da Punhos de Ouro da Federação de Boxe em Sergipe é um verdadeiro golpe contra a vida de crianças, adolescentes e jovens. Esperamos que esse cenário mude o mais rápido possível”, denunciou.
O JD entrou em contato com representantes da Federação Sergipana de Boxe, mas até o início da noite de ontem não havia obtido resposta.

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