starrecedor o que aconteceu na manhã de segunda feira 11 de agosto, dia de comemorar nas ruas o Dia do Estudante, por ser também o Dia do Advogado e, aí sim: o Dia da Pendura. Alguém lembra?
Pois bem, também, acontecem coisas que jamais poderão ser esquecidas como as vinculações políticas e ideológicas dos crimes praticados por esse público ignóbil que despertou ao se sentir representado com suas palavras de ordem; “Deus, Pátria, Família”.
Pasmem! O empresário que não é identificado pelo ramo de negócio, patriota, cidadão de bem, não sem-terra, não sem-teto, não sindicalista, não esquerdista, Renê da Silva Nogueira Júnior vinha pilotando seu carro de luxo por uma rua do bairro Vista Alegre de Belo Horizonte quando viu à sua frente um caminhão coletor de lixo, ou melhor, da limpeza urbana.
O criminoso pediu para que a motorista tirasse o caminhão da sua frente e ela respondeu gentilmente que havia espaço para ele passar em segurança e, diante do que achou ousadia e desrespeito daquela mulher negra lhe dirigir a palavra, sacou de sua arma e atirou contra o peito do gari Laudemir de Souza Fernandes, que foi a óbito.
Ato consumado voltou ao volante do seu potente e acelerou para ir para a academia porque os minutos perdidos naquela parada os deixavam no modo atrasado para sua atividade corporal achando irrelevante saber se tinha acabado de matar um trabalhador talvez assoviando a canção de João Bosco: “Tá lá um corpo estendido no chão”.
Se o trabalhador assassinado em pleno exercício de sua nobre função deixou mulher e filhos menores, o Portal G-1 não noticiou; mas ressaltou com a ênfase costumeira que o crime ocorreu durante uma briga de trânsito e não por ódio de classe e que o criminoso foi localizado poucas horas depois fazendo seus exercícios diários para aliviar o stress do trânsito da cidade grande, o homem de bem, patriota e defensor da família não pode ter seu sagrado direito ao exercício fitness interrompido por qualquer trabalhador banal.
Trabalho banal? Vamos propor um teste para desafiar os hipócritas e os sem consciência de classe. É bem simples: se a categoria dos trabalhadores na Limpeza Urbana, diante de um crime como o relatado, resolvesse paralisar todas as atividades por uma semana, como reagiriam os órgãos de desinformação do Partido Midiático? No mínimo diriam repetidas vezes que os invisíveis, para eles, trabalhadores não precisariam agir com tanto radicalismo.
Voltando à cena do crime. A arma usada era equipamento de uso exclusivo de sua esposa que é delegada da polícia civil de Minas Gerais, do departamento de investigação criminal, segundo noticiado e pasmem, nunca investigou a vida pregressa do companheiro que tem uma vasta ficha criminal.
O pior de tudo é que a violência está se transformando em um espectro que ronda nosso país pelo preconceito, machismo, racismo e outras coisas mais como no caso do agressor de físico avantajado que agrediu uma mulher dentro de um elevador em Natal desferindo 61 socos no rosto, como se estivesse socando um sparing de boxe.
O espelho onde a extrema direita é refletora está pendurado na moldura onde deputados do baixo clero ocuparam a mesa diretora da câmara e impediram o funcionamento da casa rasgando o regimento interno, sob o olhar complacente de Hugo Mota que se submeteu à molecagem explícita.
Naquele momento o partido midiático formatou uma narrativa nojenta para induzir a população de que a culpa era do governo federal por não se curvar e entregar a soberania do país a quem quer aplicar a teoria do louco.
O sequestro do Congresso Nacional deixou claro que eles não têm a devida noção de que, assim como na ditadura de 1964, muitos dos principais atores civis do golpe não demoraram a ser execrados e, se isso acontecer agora, depois do louco abocanhar o Pix, minérios nobres e as terras raras, o destino é a masmorra.
Para não ficar a deia de que não há ligação entre esses crimes, é bom lembrar do assassinato do mestre Môa do Cantuá no dia 10 de outubro de 2018 que havia votado em Fernando Haddad para presidente da República, praticado por um bolsonarista que lhe desferiu 12 facadas.
Já em 10 de julho de 2022 o guarda municipal de Foz do Iguaçu Marcelo Arruda, membro do DM do PT, comemorava seus 50 anos com familiares e amigos com decoração alusiva ao partido e ao candidato Lula quando teve o local invadido por um policial judiciário bolsonarista, amigo do deputado Carlos Jordy, e foi executado com dois tiros à queima roupa.
Marcelo morreu, Paranhos está preso condenado a 20 anos de prisão e Carlos Jordy é deputado federal da extrema direita, lesa pátria.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

