* Rômulo Rodrigues
E passou porque a parcela responsável pelo engendramento e aplicação do golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff optou por uma pauta mais escandalosa, segundo eles, que seria o julgamento de Jair Bolsonaro e sua quadrilha de golpistas como que a expiar suas culpas.
Naquele fatídico dia 31 de agosto de 2016, uma mulher honrada recebia o veredicto dos canalhas com toda sua dignidade homenageando o poeta Vladimir Mayakovski com marcante trecho de um seu poema: Não estamos alegres, é certo; mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las. Rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”.
Daquela página infeliz da nossa história enlameada em princípio por um voto asqueroso do deputado federal Jair Bolsonaro ao homenagear o maior da ditadura militar como o torturador de Dilma Rousseff e consumada com os votos de 367 de homens corruptos e mulheres adestradas que ocuparam lugares femininos na política, para referendarem que estão ali para servir aos piores homens.
O dono daquele voto está sendo julgado por 5 crimes contra a democracia e o Estado Democrático de Direito e em breve será sentenciado a muitos anos de prisão em regime fechado.
Enquanto ele chora, sente as dores dos covardes e se ajoelha pedindo clemencia, aquela mulher digna e altiva vê sua posição no mundo ser de ocupante de um cargo estratégico para colocar o Brasil no panteão das grandes potências e, segundo previsões abalizadas, influenciar na decadência da nação que financiou seus detratores e decretar o fim do poder do dólar.
Então, para o fim da linha da existência humana, só dá para ver em penumbra a figura disforme de uma louca pomba gira que atende pelo nome de Janaina Pascoal, coautora do simulacro de petição mal ajambrada que guiou a peça acusatória fajuta do impeachment da presidenta honrada, por ser mulher de firmeza de caráter.
Afogado no chorume do esgoto da história um dia será visto boiando o cadáver do tal Eduardo Cunha que da certeza de alcançar o paraíso naquela tarde sombria de 17 de abril de 2016, hoje vaga pelos tortuosos caminhos do ostracismo a declarar arrependimento do seu momento canalha líder absoluto da malta ensandecida que se julgava acima de qualquer veredicto da história.
Que não carregue a culpa sozinho, mais na frente, em 11 de maio o senado federal decidiu pela abertura do processo de impeachment aprovando o relatório de um senador fantasma chamado Antônio Anastasía por 15 votos contra 5, levando-o ao plenário onde foi sacramentado por 55 votos a favor e 15 contra.
Na votação final para que Dilma fosse afastada seriam necessários 54 votos e 61 senadores e senadoras disseram sim e uma coisa estranha aconteceu; para ela ficar inelegível eram necessários 54 votos e pasmem apenas 42 votaram sim.
A história no seu dinamismo de andar para frente chegou olhando para o seleto grupo de criminosos e dizendo: Ainda estamos aqui! E o voto do relator Alexandre de Moraes que virou ministro do STF na esteira do golpe de 2016 e da misteriosa morte do ministro Teori Zavascki, por ironia do destino está chamando o feito à ordem para que não haja o brotar de outra farsa.
E no verso final citado por Dilma Rousseff após a deposição a lei do retorno está mostrando que a Quilha da justiça dos homens está cortando cabeças de quem se julgava acima das garras da justiça – talqualmente, como diria Odorico Paraguaçu – de generais de 4 estrelas militares de altas patentes e outros que pensavam não ter limites legais para abusar do poder.
A falta da boa leitura origina esses exemplos; bastava terem lido Montesquieu para saberem demais que alertou que qualquer cidadão ou cidadã imbuído de algum poder, vai tentar exercê-lo até chegar ao seu limite. E o limite chegou, mas vão ter que esperar umas duas semanas para o pagamento das faturas.
O certo é que está nascendo um novo Brasil, federativo, democrático e brasileiro, sem mistura de estrangeiro; um Brasil Nacional.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

